O primeiro Digimon Story!
Eu gosto de Digimon... bastante. Tento ao máximo me reconectar com a franquia depois de tempos longe dela e sempre acreditei que ela tem potencial.
Digimon é uma franquia muito experimentativa, os 4 primeiros Digimon World são experiências completamente diferentes. Mas então, chegou Digimon Story no DS, que visa criar uma identidade mais narrativa pra série. Será que consegue?
Comecei a linha Story pelo Dawn/Sunburst há tempos. Mas, como gosto de sofrer, eu tinha que conhecer tudo, então por que não pelo primeiro? É um dos poucos jogos de Digimon que não joguei. E também porque peguei uma febre de Digimon esse ano, tinha que viver tudo o que pudesse dessa franquia até enjoar.
Hora de brincar com nossos amados pets virtuais.
Sobre o Jogo
Digimon Story, ou Digimon World DS para nós do ocidente, é um RPG baseado em turno para Nintendo DS, com perspectiva isométrica e batalhas em 2D em primeira pessoa desenvolvido pela BEC e publicado pela Bandai. Foi lançado para Nintendo DS em junho de 2006 no Japão e em novembro de 2006 nos Estados Unidos.
Como o jogo foi desenvolvido enquanto o anime Digimon Savers estava indo ao ar na TV, os personagens do anime fazem uma pontinha aqui ou ali.
A curiosidade é que a série foi vendida como DIGIMON WORLD no ocidente porque os envolvidos achavam que ajudariam na venda do jogo. Spoiler: não ajudou. Bandai e suas decisões...
Sinopse
Em um dia de escola, nosso protagonista entra numa sala. Ele busca "Monstros Digitais" no computador como se fosse um grande crime e acaba sendo transportado pro Digimundo. Lá, ele conhece ClavisAngemon, que está treinando Digimons, no;so protagonista tem que provar ser uma boa criança perante não só o ClavisAngemon, mas também as Quatro Bestas Sagradas, que, uma por uma, concedem testes para nosso protagonista provar se é digno da dádiva de domar monstros virtuais.
A sensação de estar no Digimon
O jogo te passa aquela sensação aventuresca de se tornar o melhor Digi-domador que há, enquanto você anda por aí encontrando crianças más, que são otárias com pets virtuais porque sim. Ao longo da jornada, você também encontrará uma entidade maléfica conhecida como Unknown-D, que não gosta muito da ideia de humanos andando por aí e quer estragar essa farra de rinha de tamagotchi.
O mapa isométrico junto com pixel art bem colorida não é à toa: o jogo vai muito na onda de Digimon World 3 (que por consequência puxava muito esses conceitos de treinadores, rinhas e ser o melhor de todos, ahem, de Pokémon). Tirando a batalha em 2D ao invés de 3D, há muitas semelhanças. Então quem gosta do DW3 vai se sentir em casa aqui.
Exploração — Entre no portal
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| Não se preocupe, ninguém achará estranho você entrar em estabelecimento com um Dinossauro com arma Nuclear e seus amigos |
Na cidade você fala com NPCs importantes (ou não) e pega missões, ao entrar no portal, você vai às Dungeons. Essa é a parte que difere um pouco do DW3.
Cada dungeon tem seu mapa próprio, e não é aquela caminhada toda indo de um lugar para o outro. Embora algumas dungeons sejam bem simples, algumas nem tanto. O jogo não te segura bem pela mão, você tem que só explorar por aí, o que pode ser bem chato porque algumas são uns labirintos e pode ser fácil se perder até porque o encounter rate do jogo é INSANO. Então, de tantas batalhas, você pode até esquecer pra onde estava indo.
Sistema de Batalha — Luta nesse jogo é o que não vai faltar… (2)
Ao entrar nas batalhas, você digiescaneia Digimons (ala Digimon Tamers). A data convertida é pra você recriar esse Digimon e tê-lo na sua party ou farm, se quiser.
Agora nas batalhas em si, é remanescente de Digimon World 2, mas é MUITO MELHOR (tirando a lerdeza, de novo).
Digimons inimigos podem até aparecer de 1 em até 5, cada um ocupando um painel. Sua party consiste em 6 Digimons, 3 pra batalhas e 3 no banco.
Assim como há 5 painéis no lado do oponente, há 5 nos seus. Você pode remanejar sua equipe e colocá-la nas posições que você quiser. Se você colocar eles agrupados, podem beneficiar dos seus próprios Traits, que conferem algum benefício ao Digimon adjacente. E é claro, quem age primeiro é o Digimon com o maior stat de velocidade.
Apesar das opções no combate serem autoexplicativas, vou dar ênfase em duas delas:
Fight - Usa uma das suas techs
Move - movimenta seu Digimon para um painel ou troca ele pro banco.
Cada Digimon tem suas techs fixas, que ele aprende por level up. Qual painel adversário vai atacar depende da sua escolha. Também há, por exemplo, Techs com painel fixo, ou seja, eles sempre vão atacar o exato mesmo lugar. Alguns equipamentos que você equipa nos Digimons também têm techs, um ponto pra customização!
Claro, apesar do nome da opção ser attack, há techs de cura e suporte pra seus próprios Digimons!
Movimentar seus Digimons pode ser importante, mas pessoalmente, eu raramente usei essa opção no jogo e deixei meus digimons centralizados nos painéis, e não houve muita dificuldade. O que torna essa mecânica um tanto obsoleta.
Progressão: Evolução e Devolução
Aqui além da digievolução, após um ponto do plot, você pode devoluir ele, ou seja, regressar pra uma forma anterior. Isso não só é útil caso você queira seguir outro caminho de evolução, como fazer isso repetidamente aumenta o level cap do seu monstro e seus stats
Agora isso parece um grind insano, mas a diferença disso aqui para o Digimon World 2 onde você perdia muito e voltava muito atrás, aqui a regressão não é total e seu Digimon após alguns levels fica muito mais forte do que você estava.
Em várias partes da minha jornada, eu estava destruindo Digimons Mega no mapa e até bosses com um Champion. Esse sistema é muito mais natural e recompensador.
Farm — Sou desse chão onde o rei é peão...
A DigiFazenda é onde você monta seu rancho de Digimons que ficam fora da sua party. Você pode colocar Digimons e itens de treinamento para aumentar seus atributos, resistências a golpes e pontos de experiência para cada espécie. Dá pra ter fazendas diferentes com propósitos diferentes, como uma fazenda que com Digimons de Dragão e maximizar o máximo o poder ofensivo deles. E também, todas as sidequests que o jogo te dá, é por aqui.
Na minha modesta opinião, é um box de Pokémon melhorado. A experiência que os Digimon ganham lá não vai ser melhor que levar eles pra batalha. Mas se você planejar, ela pode ser útil para um Digimon alcançar requisitos necessários, como uma digievolução que necessita de algum parâmetro específico. No geral, também é possível jogar e esquecer completamente que a Farm existe.
História & Personagens — Com grandes poderes vem grandes responsabilidades
Digimons são espelhos do seu domador, se você for uma boa criança, você domará um bom digimon, mas se for uma criança estúpida, pode acabar com um monstrinho que vai destruir o mundo (ou em iterações mais recentes da franquia, um wendigo que vai te lanchar). É isso que Digimon Story quer te passar, ser um bom domador responsável.
Acho que minha parte principal da história é sem dúvida o arco do Pagumon, pois mostra bastante desenvolvimento ali. Ele vai de uma criaturinha chata pra um Digimon fantástico, e uma das melhores representações dessa dualidade de bem e mal que Digimon sempre gostou de trabalhar.
O jogo tem muitos personagens humanos, e pra ser sincero, eu terminei sem lembrar o nome da maioria deles. Já sobre os Digimons, o Alphamon é um vilão bem bobo nesse jogo. Não sei se foi a tradução ruim (é possível que seja), mas a verdade, é que não importa muito.
DIGIMON WORLD (DS) — Ou Digimon Story se preferir, é simples e com muito grind
Agora, grind não é nada novo pros jogos da franquia, mas eu acho que os desenvolvedores quiseram jogar seguro.
O jogo tem o mesmo encounter rate e até um backtracking (não tão insano quanto) Digimon World 3, o que pra mim, tá tudo bem, pois esse é um jogo de DS e ninguém deveria jogar um jogo de DS por tantas horas pra se frustrar com isso. Já a lentidão das batalhas continua um problema da franquia, então é bom jogar com moderação. Aquela jogatina de 2 horinhas, antes de dormir? Digimon Story cumpre bem seu papel.
Uma coisa que me chamou atenção foi que, a localização do jogo foi estranha, os golpes dos Digimons estão com seus nomes originais ao invés do localizado, como o Meteor Squall do Starmon ao invés do Meteor Star. Além de uns erros bobos, como Renamon com VeeHeadbutt do Veemon?
Além dos diálogos, alguns são bem infantis, fiquei na dúvida se era pra ser assim mesmo ou se era a localização desse jogo que é muito ruim.
A OST é ok, são boas músicas e há sessões do jogo em que trilhas antigas tocam, o que pode ser nostálgico.
Também há muitos Digimons travados pelo sistema de matchmaking do jogo, aquele aspecto social de Jogos do DS da época. Isso dificulta você ter um Veemon ou Omegamon, Digimons populares da franquia. Particularmente não me afetou, pois o que o jogo te dá já tá ótimo pra mim.
Um Bug Devastador
Agora a minha experiência negativa de fato foi um bug totalmente desanimador. De tanto fazer grind, há uma remota chance de seu Digimon ser nerfado e ele ficar com o miserável parâmetro de um dígito nos status.
Isso me matou completamente, porque não foi só um Digimon meu que ficou bugado, mas dois! E eu não sabia que esse bug existia, então tinha salvado o progresso e só fui notar muito tempo depois. Meu Guilmon simplesmente foi nerfado por ser bom demais. Isso me desanimou o suficiente pra eu não dedicar mais tempo pro jogo, e como eu já tava beirando o fim, eu só rushei pro final. Uma pena porque eu tava gostando muito do jogo.
O sistema de progressão é tão bom e recompensador que tive um HiAndromon que destruiu o boss final com apenas alguns golpes. Mesmo sem 2 dos meus Digimons mais fortes por causa do Bug (e com dor porque estava com eles desde o começo do jogo) , eu consegui terminar o jogo sem muitos problemas. O grind é real e valeu a pena. E isso pra um RPG que foca no grind. É maravilhoso.
Em contrapartida, os stats dos Digimons crescem tão exponencialmente que vai chegar a um determinado ponto que você nem vai precisar de Itens de recuperação de MP, e mesmo se precisar, ainda terá sua equipe reserva te esperando no banco.
Comprar itens de recuperação chega a ser um desperdício de dinheiro nesse jogo, é melhor guardar para equipamentos e aparatos da fazenda.
Talvez, essa foi a melhor experiência com Digimon que eu tive com jogos antigos da série; o jogo é simples e não complica em nada, faz seu papel. Mas como todo jogo da série até aqui, é um jogo de Digimon e, infelizmente, a vida digital te prega uns bugs.







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