Digimon Story Sunburst (Digimon World Dawn) — Falando Sobre RPGs #004

Coronamon, mascote e Digimon principal em Digimon World Dawn (Digimon Story Sunburst)

Não é Digimon Frontier, mas tem o poder de fogo

Digimon World Dawn foi o primeiro jogo de DS que joguei, e na época eu não lidei muito bem com ele pelo... excesso de grind. Claro, hoje em dia, a gente sabe que jogos de Digimon são essencialmente isso. 

Como eu não havia terminado esse jogo muitos anos atrás e como joguei Story recentemente, foi natural escolher esse para jogar logo em seguida. 

O quanto será que esse Story evolui em relação ao anterior? Foi um tempo de desenvolvimento muito curto, e isso reflete no jogo. Há muitos assets reutilizados e uma ênfase muito curta na história, mas estou botando a carroça na frente dos bois.

Há um barulho muito grande pelo sucesso que tem feito a mais nova entrada da franquia, Time Stranger. E embora esse jogo não vai aparecer aqui nem tão cedo, é importante ressaltar como Digimon ficou popular recentemente.

De qualquer forma, bora pra última aventura no Digimundo, pelo menos… por enquanto.


Sobre o jogo

Digimon Story Sunburst & Moonlight, ou Digimon World Dawn e Digimon World Dusk, são RPGs de turno, com batalha em 2D em primeira pessoa, desenvolvidos pela BEC e distribuídos pela Bandai para o Nintendo DS. Foram lançados em março de 2007 e novembro de 2007, no Japão e nos Estados Unidos, respectivamente. E, claro, a diferença nos nomes se dá pelo mesmo motivo da primeira entrada dessa série. Também foi o último jogo da linha lançada para o Ocidente no Nintendo DS, visto que houve dois outros jogos da série Story que não saíram do Japão.

Capa do jogo Digimon World Dawn no ocidente

A história do jogo é praticamente igual nas duas versões, com pequenas alterações. Com Koh sendo o representante de Dawn e Sayo, de Dusk. A diferença é que, além do visual mais brilhante e escuro nas cidades respectivas dos dois jogos, em Dawn, Digimons da espécie Peixe, Sagrada, Dragão e Pássaro aparecem com mais frequência, enquanto em Dusk, Digimons da espécie Planta, Escuridão, Fera e Máquina são os representantes. 

Eu escolhi jogar Dawn apenas pelo Apollomon, e é isso, RPGs são feitos de escolhas. Também é importante dizer que, provavelmente, a Sayo é a protagonista canônica desse universo, visto o papel dela em Cybersleuth. Mas isso é história para outro dia.


Sinopse

Aqui, você é Koh (ou Sayo, se você for herege), um domador iniciante da Sunshine City. SunshineCity (Dawn) e NightMoon (Dusk) são cidades rivais e possuem equipes que competem entre si, os LightFang e NightCrown, respectivamente. Após seus amigos passarem vergonha por perder pra equipe rival, você é encarregado de carregar a vitória esportiva. 
No outro dia, após os combates, uma força maléfica invade a cidade, danificando-a e  transformando todos os Digimon residentes em Digitama. Desconfiando que a NightCrown possa estar envolvida, você é encarregado de investigar o ocorrido.


A gente luta pelo Sol, mas o que a gente faz mesmo?

Tela do jogo Digimon World Dawn

Apesar de o jogo ter esse início meio competitivo, não espere que a história seja assim. Ou que você possa usar o mapa da arena para torneios épicos. No máximo haverá lutas singulares para você subir seu rank de domador, que, diferente do jogo anterior, aqui é totalmente opcional e talvez você nem repare. O jogo ainda é muito focado em progressão de masmorras e muitas batalhas.


Exploração: Sem grandes mudanças

Bom... não há muito o que se falar além do Story original. O encounter rate do jogo continua insano. As dungeons continuam parecendo labirintos, dessa vez um pouquinho mais elaboradas; as últimas inclusive são até mais confusas. Como há sessões de vários mapas aos quais você não pode ter acesso, voltar nelas pode render alguns itens extras mais tarde, como os Digi-Eggs. E também porque as "side quests" vão te trazer de volta.

Uma coisa que eu tenho que destacar é que a série Story até aqui trabalha muito bem o estilo visual. Não é uma coisa fenomenal, mas a pixel art é muito colorida, vivida, faz uma boa representação visual do DigiMundo.



Sistema de batalha — Pequenos ajustes de balanceamento

A maior diferença do Dawn para o DS é que todas as techs agora gastam MP. No jogo anterior, por exemplo, existiam moves que atacavam duas zonas e sem MP algum, como o Straight Punch. As batalhas continuam com animações lentas. Não muda muito em relação ao antecessor, além de umas correções na tradução.

No lado mais experiencia de jogador, eu tive alguns Digimons extremamente fortes que, por ter parâmetros muito altos, varriam inimigos. Então técnicas de buff e debuff tiveram muito pouca utilidade para mim, o que é uma pena, pois a linha do DemiDevimon aprende algumas interessantes. A ideia da progressão exponencial é boa, mas, parando para pensar, ela inviabiliza habilidades que mexem com os parâmetros.



Progressão: Mais mecânicas familiares

Aqui vem a melhoria: como Dawn trouxe a customização para todo Digimon, eles podem ter learnsets customizáveis.

Em DS, os Digimon tinham seus movesets fixos. Isso significa que, ao digievoluir seus digimons, boa parte do moveset dele seria trocada com o tempo. 

Aqui em Dawn, não. Seus Digimons podem herdar techs de linhas evolutivas diferentes. Dando uma gama muito maior para a customização. 

Você pode fazer o Patamon aprender uma das melhores techs de cura do jogo, devoluir para Tokomon e então digievoluir para Falcomon. Falcomon pode se tornar Ravemon, que é um dos Digimons mais rápidos do jogo, e, com a tech de cura do Patamon, você tem um Digimon de cura veloz. Ou quem sabe até passar essa tech pro Lucemon por DNA?


Myotismon aprendendo técnicas em Digimon World Dawn (Digimon Story Sunburst)
Meu Myotismon aprendendo várias técnicas de buff e debuff, mas ele acabou tão forte que elas ficaram sem sentido

Enquanto a progressão dos níveis e a mecânica de digivolve/devolve, você pode fazer isso logo no começo do jogo agora. E aquele bug que dos parâmetros com um dígito não existe mais. Ou seja, bota esses bichos pra malhar!


DNA & Armor Digievolution: mecânica sempre bem-vinda, mas implementada de forma obscura

Armor Digievolution em Digimon World Dawn (Digimon Story Sunburst), apresentando Toucanmon

Quando você achar Digi-Eggs durante suas aventuras, você pode fazer aqueles Digimon que você conhece do anime fazer sua armor evolution. Ou na nossa dublagem: Vai DigiOvo!
A única questão é que você não tem informações de que nível ou de quanto de experiência (do que tipo de experiência) você precisa. O jogo não divulga nada; você só tem essa opção por um menu de PC no quarto do personagem. Ou seja, vai ter que buscar um guia na internet!

A digievolução de DNA é a mesma coisa,a diferença é que você pode fazer DNA com qualquer Digimon. O que vai acontecer é que o primeiro Digimon vai absorver o segundo Digimon

Quer seu Omegamon? Procura na internet em vez de fazer bobagem aí.


Sai da frente, Satanás!

Como eu sou azarado, eu queria um Zanbamon por DNA, então tentei seguir o guia da internet. E é CLARO que a fusão simplesmente não rolou, não sei se foi bug ou sei lá o quê. Então, caso queira fazer um Kabukimon + Dinohumon se tornarem um Zanbamon, é melhor evitar essa em específico...


A Farm: bem situacional

Sua fazenda... Também não mudou muito. Você tem novos itens pra colocar nela. E ela pode ser mais útil, já que alguns Digimon que requerem DNA (Jogress) precisam de parâmetros muito altos, como o Spirit de Alphamon. 

Tirando isso, você pode continuar jogando seu jogo sem se envolver com ela, se quiser. Digimon fez um conceito interessante, mas não aprofundou.




História & Personagens — Side Quests como progressão natural

A forma como o jogo lida com a história é preguiçosa. Você tem missões da Union, que são as principais, e missões de Species (Espécies de Digimon), que são as secundárias. A questão é que, após sua missão principal, que avança no enredo do jogo, as missões de espécie são necessárias para liberar as missões principais. E as secundárias são, um tanto, chatas, repetitivas e sem graça. 

Missões em Digimon World Dawn (Digimon Story Sunburst)

Elas se resumem a pegar um batom para Digimon ou derrotar um Digimon em outra masmorra, revisitando muitos lugares. Não são histórias bem elaboradas, são missões de batalhas e fetch quests, e, com o encounter rate das masmorras são grandes. Esse tipo de abordagem só serve para inflar o jogo artificialmente. 

O jogo anterior fez melhor em separar as duas coisas, até separando um arco sobre maturidade para um personagem. Aqui? A história principal é curta e direta. E as sidequests são um "filler" (à la anime dos anos 2000 mesmo) para chegar às missões principais. Eu entendo que é um jogo lançado um ano após o Digimon Story original e que não houve muito tempo de desenvolvimento, mas podia ter mais capricho.

Agora, sobre a história do jogo em si, é bem simples também. Um ponto muito interessante é que o  vilão principal é uma consequência do Chronomon ter sido despertado. Dawn é um standalone e não uma sequência da história do jogo anterior. E, como sabemos que Digimon é um multiverso, há de se notar que aqui é só mais um universo paralelo com coisas em comum. 

Sobre os personagens, Koh é um jovem otimista e animado, enquanto a Sayo é introspectiva e fria. Tal como sugerem o tema Sol e Lua dos jogos. Apesar disso, eles não demonstram muita personalidade e são arquétipos de protagonistas silenciosos comuns dos jogos do gênero.
Os outros personagens, bem... Ainda há muitos deles, e, de novo, eu terminei o jogo e não lembro da maioria. Infelizmente, é uma sina de jogos de Digimon até aqui. O que salva mesmo são os personagens de Digimon Savers e Digimon Next no pós-game, mas talvez um pouco tarde demais.






Digimon World Dawn (Story Sunburst) continua sendo muito para os fãs da franquia — E isso é sintomático

O jogo não possui o bug infame do Digimon Story original; só isso faz valer a pena todo o grind sem medo. De novo, treinar Digimons continua satisfatório, e é ainda mais legal quando você pode planejar sua party desde o início com digievoluções de DNA e Digiarmor. São mecânicas muito bem-vindas e dão um novo ar pro jogo. Consegui um Alphamon planejando-o desde o começo e acho que essa foi a intenção dos desenvolvedores

Jogar, planejar sua party e se divertir nas batalhas; esse jogo de Digimon (até pelo jogo ser lançado em duas versões) é o mais próximo de Pokémon que Digimon quis ser. Treinar seus Digimon e mostrá-los orgulhosamente, talvez nas batalhas por Wi-Fi que eram possíveis nos consoles DS.


Uma missão para derrotar Vikemon em Digimon World Dawn (Digimon Story Sunburst)

A história não é o forte da linha Story até aqui, por mais irônico que seja. E em Dawn, eles lidaram de uma forma bem preguiçosa, no mínimo. Não há muita evolução nos personagens, nem como eles têm desenvolvimento durante o jogo. É tudo mais temático que substância.

Como o jogo não dá sequer alguma dica de quais Digimon e qual o nível necessários você precisa para fazer DNA (Jogress), junta com as masmorras confusas e o grind, o jogo fica muito pouco intuitivo, principalmente para quem não é fã da franquia. E mesmo para quem seja, talvez jogar com um guia e procurar o que lhe interessa logo no começo seja bem mais prazeroso.

Se tem uma coisa que fica clara com isso tudo em Digimon, é que esses jogos do meio dos anos 2000 são sempre muito focados para o nicho dos fãs da franquia, e eles se esforçavam bem pouco para entregar coisas além do mínimo básico. Existe um motivo pelo qual uma franquia tão memorável não conseguia novos fãs: os responsáveis não se importavam muito. A franquia merecia mais do que estamos vendo aqui.

Mas, para terminar esse texto com coisa boa, eu não falei de música ou gráficos. Os sprites dos Digimons continuam lindos, é um prazer vê-los, e as músicas são melhores que as do jogo anterior, incluindo essa aqui. Não dá para reclamar de música em Digimon, sério, só tem espetáculo.

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