E na reta final do ano, eu vou terminando essa febre de Digimon que tive. Confesso que aproveitei bastante momentos nostálgicos com animes e os jogos… e embora eu não vá tocar em nada de Digimon nem tão cedo, fico feliz pelo sucesso que tem feito a mais nova entrada da franquia, Time Stranger.
O quanto será que esse Story evolui em relação ao anterior? Foi um tempo de desenvolvimento muito curto, e isso reflete no jogo. Há muitos assets reutilizados e uma ênfase muito curta na história, mas, estou botando a carroça na frente dos bois.
Então, bora pra última aventura no Digimundo, pelo menos… por enquanto.
. Foram lançados em março de 2007 e novembro de 2007, no Japão e nos Estados Unidos, respectivamente. E, claro, a diferença nos nomes se dá pelo mesmo motivo da primeira entrada dessa série. Também foi o último jogo da linha lançada para o Ocidente no Nintendo DS, visto que houve dois outros jogos da série Story que não saíram do Japão.
A história do jogo é praticamente igual nas duas versões, com pequenas alterações. Com Koh sendo o representante de Dawn e Sayo, de Dusk. A diferença é que, além do visual mais brilhante e escuro nas cidades respectivas dos dois jogos, em Dawn, Digimons da espécie Peixe, Sagrada, Dragão e Pássaro aparecem com mais frequência, enquanto em Dusk, Digimons da espécie Planta, Escuridão, Fera e Máquina são os representantes.
Eu escolhi pra jogar Dawn apenas pelo Apollomon, e é isso, RPGs são feitos de escolhas. Também é importante dizer que, provavelmente, a Sayo é a protagonista canônica desse universo, visto o papel dela em Cybersleuth. Mas isso é história pra outro dia.
Sinopse
Aqui, você é Koh (ou Sayo, se você for herege), um domador iniciante da Sunshine City. Sunshine (Dawn) e NightMoon (Dusk) são cidades rivais e possuem equipes que competem entre si, os LightFang e NightCrown, respectivamente. Após seus amigos passarem vergonha por perder pra equipe rival, você é encarregado de carregar a vitória esportiva.
No outro dia, após os combates, uma força maléfica invade a cidade, danificando-a e transformando todos os Digimons residentes em Digitama. Desconfiando que a NightCrown possa estar envolvida, você é encarregado de investigar o ocorrido.
A gente luta pelo Sol, mas o que a gente faz mesmo?
Apesar do jogo ter esse início meio competitivo, não espere que a história seja assim. Ou que você possa usar o mapa da arena pra torneios épicos. No máximo haverá lutas singulares, pra você subir seu rank de domador, que, diferente do jogo anterior, aqui é totalmente opcional e talvez você nem repare. O jogo ainda é muito focado em progressão de Dungeons e muitas batalhas.
Exploração: Sem grandes mudanças
Bom... não há muito o que se falar além DS original. O encounter rate do jogo continua insano. As dungeons continuam parecendo labirintos, dessa vez um pouquinho mais elaboradas, as últimas inclusive são até mais confusas. Como há sessões de vários mapas que você não pode ter acesso à elas, voltar nelas pode render alguns itens extras mais tarde, como os Digi-Eggs. E também porque as "side quests" vão te trazer de volta.
Uma coisa que eu tenho que destacar é que, a série Story até aqui trabalha muito bem o estilo visual. Não é uma coisa fenomenal, mas a pixel art é muito colorida, vivida, faz uma boa representação visual do DigiMundo.
Sistema de batalha — Pequenos ajustes de balanceamento
A maior diferença do Dawn pro DS é que todas as techs agora gastam MP. No jogo anterior, por exemplo, existiam moves que atacavam duas zonas e sem MP algum, como o Straight Punch. As batalhas continuam com animações lentas. Não muda muito em relação ao antecessor além de umas correções na tradução.
No lado mais experiência da minha parte, eu tive alguns Digimons extremamente fortes que por ter parâmetros muito altos, varriam inimigos. Então técnicas de buff e debuff teve muito pouco utilidade pra mim, o que é uma pena, pois a linha do DemiDevimon aprende algumas interessantes. A ideia da progressão exponencial é boa, mas parando pra pensar, ela inviabiliza habilidades que mexem com os parâmetros.
Progressão: Mais mecânicas familiares
Aqui vem a melhor melhoria: como Dawn trouxe a customização para todo Digimon, eles podem ter learnsets customizáveis.
Em DS, os Digimons tinham seus movesets fixos. Isso significa que ao digievoluir seus digimons, boa parte do moveset dele seria trocada com o tempo.
Aqui em Dawn, não. Seus Digimons podem herdar techs de linhas evolutivas diferentes. Dando uma gama muito maior pra customização.
Você pode fazer o Patamon aprender uma das melhores techs de cura do jogo, devoluir para Tokomon e então digievoluir para Falcomon. Falcomon pode se tornar Ravemon, que é um dos Digimons mais rápidos do jogo, e com a tech de cura do Patamon, você tem um Digimon de cura veloz. Ou quem sabe até passar essa tech pro Lucemon por DNA?
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| Meu Myotismon aprendendo várias técnicas de buff e debuff, mas ele acabou tão forte que elas ficaram sem sentido |
Enquanto a progressão dos níveis e a mecânica de digivolve/devolve, você pode fazer isso logo no começo do jogo agora. E aquele bug que dos parâmetros com um dígito não existe mais. Ou seja, bota esses bichos pra malhar!
DNA & Armor Digievolution: Mecânica sempre bem vinda, mas implementada de forma obscura
Quando você achar Digi-Eggs durante suas aventuras, você pode fazer aqueles Digimons que você conhece do anime fazer sua armor evolution. Ou na nossa dublagem: Vai DigiOvo!
A única questão é que você não tem informações de que nível ou de quanto de experiência (do que tipo de experiência) você precisa. O jogo não divulga nada, você só tem essa opção por um menu de PC no quarto do personagem. Ou seja, vai ter que buscar um guia na internet!
A digievolução de DNA é a mesma coisa,a diferença é que você pode fazer DNA com qualquer Digimon. O que vai acontecer é que o primeiro Digimon vai absorver o segundo Digimon.
Quer seu Omegamon? Procura na internet ao invés de fazer bobagem aí.
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| Sai da frente, Satanás! |
Como eu sou azarado, eu queria um Zanbamon por DNA, então tentei seguir o guia da internet. E é CLARO que a fusão simplesmente não rolou, não sei se foi bug ou sei lá o quê, então, caso queira fazer um Kabukimon + Dinohumon tornarem um Zanbamon, é melhor evitar essa em específico...
A Farm: Bem situacional
Sua fazenda... Também não mudou muito. Você tem novos itens pra colocar nela. E ela pode ser mais útil, já que alguns Digimons que requerem DNA (Jogress) precisam de parâmetros muito altos, como o Spirit de Alphamon.
Tirando isso, você pode continuar jogando seu jogo sem se envolver com ela se quiser. Digimon fez um conceito interessante, mas não aprofundou.
História & Personagens — Side Quests como progressão natural
A forma como o jogo lida com a história é preguiçosa. Você tem missões da Union, que são as principais, e missões de Species (Espécies de Digimon) que são as secundárias. A questão é que após sua missão principal, que avança no enredo do jogo, as missões de espécie são necessárias para liberar as missões principais. E as secundárias são, um tanto, chatas, repetitivas e sem graça.
Elas se resumem a pegar um batom pra Digimon ou derrotar um Digimon em outra Dungeon, revisitando muitos lugares. Não são histórias bem elaboradas, são missões de batalhas e fetch quests, e com o encounter rate das dungeons são grandes, esse tipo de abordagem só serve pra inflar o jogo artificialmente.
O jogo anterior fez melhor em separar as duas coisas, até separando um arco sobre maturidade pra um personagem. Aqui? A história principal é curta e direta. E as Sidequests são um "filler" (ala anime dos anos 2000 mesmo) pra chegar às missões principais. Eu entendo que é um jogo lançado um ano após o Digimon Story original e que não houve muito tempo de desenvolvimento, mas podia ter mais capricho.
Agora, sobre a história do jogo em si, é bem simples também. Um ponto muito interessante é que o vilão principal é uma consequência do Chronomon ter sido despertado. Dawn é um standalone e não uma sequência da história do jogo anterior. E como sabemos que Digimon é um multiverso, há de se notar que aqui é só mais um universo paralelo com coisas em comum.
Sobre os personagens, Koh é um jovem otimista e animado, enquanto a Sayo é introspectiva e fria. Tal como sugerem o tema Sol e Lua dos jogos. Apesar disso, eles não demonstram muita personalidade e são arquétipos de protagonistas silenciosos comuns dos jogos do gênero.
Os outros personagens, bem... Ainda há muitos deles, e de novo, eu terminei o jogo e não lembro da maioria. Infelizmente, é uma sina de jogos de Digimon até aqui. O que salva mesmo são os personagens de Digimon Savers e Digimon Next no Post-Game, mas talvez um pouco tarde demais.
Digimon World Dawn (Story Sunburst) continua sendo muito para os fãs da franquia — E isso é sintomático
O jogo não possui o bug ínfame do Digimon Story original, só isso faz valer a pena todo o grind sem medo. De novo, treinar Digimons continua satisfatório, e é ainda mais legal quando você pode planejar sua party desde o início com digievoluções de DNA e Digiarmor. São mecânicas muito bem-vindas e dão um novo ar pro jogo. Consegui um Alphamon planejando-o desde o começo e acho que essa foi a intenção dos desenvolvedores.
Jogar, planejar sua party e se divertir nas batalhas, esse Digimon (até pelo jogo ser lançado em duas versões) é o mais próximo de Pokémon que Digimon quis ser. Treinar seus Digimons e mostrá-los orgulhosamente, talvez nas batalhas por wi-fi que eram possíveis nos consoles DS.
A história não é o forte da linha Story até aqui, por mais irônico que seja. E em Dawn, eles lidaram de uma forma bem preguiçosa, no mínimo. Não há muita evolução nos personagens, nem como eles têm desenvolvimento durante o jogo. É tudo mais temático que substância.
Como o jogo não dá sequer alguma dica de quais Digimons e qual o nível necessários você precisa pra fazer DNA (Jogress), junta com as dungeons confusas e o grind, o jogo fica muito pouco intuitivo, principalmente pra quem não é fã da franquia. E mesmo pra quem seja, talvez jogar com um guia e procurar o que lhe interessa logo no começo seja bem mais prazeroso.
Se tem uma coisa que fica claro com isso tudo em Digimon, é que como esses jogos do meio dos anos 2000 é sempre muito focado para o nicho dos fãs do Digimon, e eles se esforçam bem pouco para entregar coisas além do mínimo básico. Existe um motivo do porquê uma franquia tão memorável não conseguia novos fãs: os responsáveis não se importavam muito. A franquia merecia mais do que estamos vendo aqui.
Mas pra terminar esse texto com coisa boa, eu eu não falei de música ou gráficos. Os sprites dos
Digimons continuam lindos, é um prazer ver eles, e as
músicas são melhores que o jogo anterior, incluindo
essa aqui. Não dá pra reclamar de música em Digimon, sério,
só tem espetáculo.
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