Um homem só quer uma vida tranquila nos campos, mas nem isso os RPGs deixam
Você se esforçou muito, teve um ano difícil, então você resolve relaxar e fugir um pouco do grind decidindo jogar um RPG de fazenda. Esse foi meu raciocínio ao escolher Rune Factory.
Agora, eu não sou nenhum estranho com jogos de fazenda, meu primeiro contato com o gênero foi justamente o Harvest Moon de SNES em que conheci naquele famoso CD totalmente original de jogos de SNES para PS2 (que tinha MUITA COISA ERRADA, diga-se de passagem).
Lá eu aprendi o básico do gênero, e apesar de ter jogado outros Harvest Moons, principalmente no DS, o gênero nunca havia me reconquistado como da primeira vez. Então, eu joguei Rune Factory 3 e fiquei apaixonado, claro, nunca terminei o jogo na época, mas foi uma franquia que sempre ficou no pensamento.
Mas como Rune Factory funciona? De fato, ele é um RPG ou é mais "elementos" do que um jogo do gênero? É isso que vamos descobrir agora.
Uma curiosidade é que durante o meio das décadas é quando muitas franquias gigantescas comemoram aniversários, e não é diferente aqui. 2026 faz 20 anos do Rune Factory!
E também um alerta de spoiler: nunca tem como fugir do grind
Sobre o Jogo
Rune Factory: A Fantasy Harvest Moon ("Rune Factory - A New Story of Seasons -" no Japão) é um RPG de Simulação desenvolvido pela Neverland e publicado pela Marvelous no Japão e pela Natsume nos EUA, lançado em agosto de 2006 e agosto de 2007 nos respectivos países para Nintendo DS.
O jogo é um spin-off do pioneiro de simulação de fazenda, Harvest Moon, franquia que conta mais de 30 títulos até esse momento, com a mente criativa de Yoshifumi Hashimoto.
Sinopse
Um jovem homem chega no reino de Norad, perto da cidade de Kardia, sem lembrar de nada, sem nenhum bem material e esgotado. Ao cair no chão, uma garota chamada Mist o resgata.
Sem ter onde ficar, a garota oferece um campo de terra e uma enxada para ele trabalhar. O jovem, agora chamado de Raguna, está prestes a começar sua humilde e inesperada vida nos campos.
Só que antes de sequer começar a trabalhar, um monstro aparece na fazenda, Raguna então derrota o monstro com a enchada. Mist então nota que o Homem é ligeiramente hábil e que ainda ao perceber que Monstros estão saindo das Masmorras, sem um Earthmate por perto, é raro.
Ao se habituar aos seus primeiros dias nos campos e na cidade de Kardia, e ao conhecer seus cidadãos, Raguna conhece o prefeito Goodwin, que, ao notar a habilidade de luta do garoto, dá a ele pequenos testes, que, após cumpri-los, dará permissão a Raguna para explorar as Masmorras, descobrir o porquê de elas estarem infestadas de monstros e lidar com o problema antes que uma crise maior exploda sobre a cidade.
A sensação em Rune Factory é quase como um Isekai
Uma das primeiras coisas ao notar jogando Rune Factory é que é diferente de Harvest Moon, que tem um estilo de arte chibi, com tudo mais fofo e colorido. Em Rune Factory, os personagens têm proporções mais reais, com uma coloração mais leve, um estilo de arte mais suave.
Ao conhecer a cidade de Kardia e seus habitantes, você encontra pessoas dos mais variados tipos. Uma garota que se veste como bruxa, outra garota que parece ser um ninja que está dizendo que está devotada à sua missão, você tem livraria que conta um pouco mais da história desse mundo e vende livros de magia.
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| Se uma mulher para te dar uma enxada... fuja! |
Existem monstros que você vai encontrar dos mais variados tipos, dragões, orcos, lobos. Todos esses detalhes que eu citei agregam um valor de mundo fantasioso tal qual o nome do título diz, um Harvest Moon de fantasia, é assim que você pega um pouco dessa imersão, você logo notará que está sentindo-se em uma Light Novel de vida cotidiana, com personagens carismáticos e clima ameno, mas também com momentos de tensão e ação que essa experiência te propõe.
Quanto à mistura de simulador de fazenda e com foco em enredo e progressão, o jogo não te pressiona em nada. Você é livre para se empenhar em fazer sua rotina, seja plantando suas primeiras batatas, conhecer os civis logo de cara ou se aventurar nas masmorras. Mas, claro, o importante é equilibrar os processos, pois dar muita importância só à sua fazenda e negligenciar outras coisas, como cultivar suas amizades, pode fazer falta mais tarde.
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| Informação de suma importância: nenhum monstro é morto nas filmagens desse jogo! |
A Fazenda: Pequena Terra, Grandes Negócios e Corrida contra o Tempo
Sua fazenda é sua grande fonte de renda e onde deve ser o ponto-chave pra desfrutar do jogo antes que ele acabe. Por que estou falando isso tão cedo? É muito simples, tudo no jogo requer uma grande quantidade de dinheiro. Assim que a Mist liberar você do tutorial, ao falar com ela, vai te dar a chave do sucesso logo cedo: Greenifier, um fertilizante que aumenta a qualidade das suas colheitas, aumentando o valor da venda delas também.
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| Nem pra me emprestarem um trator... |
Esse Item é extremamente necessário para ganhar quantidades significativas de dinheiro, pois fazer apenas plantações comuns não te dará lucros suficientes para explorar o jogo ao máximo. Você tem que construir casas para seus monstros, se quiser ter ovos e leite disponíveis. Você precisará comprar itens variados, como armas básicas, utensílios de cozinha e itens variados. E principalmente, é necessário expandir sua casa o mais rápido possível!
A expansão da casa tem um custo elevado de 200 mil (e você ainda vai precisar de 2 mil pedaços de madeira). É um custo considerável. Ao expandir a casa, você ganhará acesso a outras mecânicas do jogo, como a alquimia para poções, a cozinha expandida, e principalmente o acesso a fabricação de armas, ferramentas de campos, e acessórios, que são indipensáveis e ajudam no progresso e também para aproveitar o jogo, pois há datas de eventos como dias de competição de culinária ou dia do ovo, então é interessante ter esses recursos disponíveis o quanto antes.
Exploração: Há muito o que fazer com seu tempo livre
Ficar enfurnado na fazenda plantando batatas tá longe de ser sua única fonte de atenção; você tem muito a descobrir em Kardia, por exemplo. A casa de banho da Melody é essencial para sua aventura no começo, pois banhos lá recuperam seu HP e RP, recuperar o RP é essencial para continuar seus afazeres durante o dia.
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| O que é um RPG sem pesca? |
A Livraria te oferece tutoriais básicos do jogo e alguns detalhes a mais da lore, como uma pedra amaldiçoada que pode trazer misfortúnio para quem a segurar. Você pode pescar na praia ou até nas dungeons, o que é muito recomendado nos primeiros dias, pois vender os peixes pode te render alguns Greenifer extras para turbinar suas colheitas.
O Ferreiro pode melhorar suas ferramentas e vender algumas armas básicas, a clínica local te livra de status negativos como envenenamento e principalmente o incômodo status negativo de selamento, que te impede de usar magia ou de usar recarregamento de suas ferramentas. A cidade é extremamente útil, principalmente durante o early game, onde a renda inicial é escassa.
Falar com os NPCs principalmente durante o começo do jogo é extremamente importante, pois são personagens como a Bianca, que dará seu primeiro Martelo no jogo. E isso vale para outras ferramentas também.
Existem 7 dungeons, que você vai desbloqueando conforme o progresso do jogo, não tem erro, são dungeons simples e bem lineares, oferecendo pouca profundidade. Dentro dela você encontrará terrenos férteis em que você pode fazer plantações lá mesmo, úteis para fazer suas plantações com fertilizante sem o risco de ocorrer uma tempestade que destruirá tudo. Também há pedras para minerar, conseguindo materiais úteis para forja seja pelo armeiro na cidade ou faça você mesmo.
As dungeons possuem máquinas que spawnam monstros, que são úteis, para grindar materiais para forja de itens, e também para o grind, que também é um requerimento durante os primeiros estágios do jogo.
Sobre as dungeons em si, uma delas em específico só é desbloqueada durante a estação de inverno, o que bloqueia não só materiais específicos que só tem lá (como drops de monstros ou item de mineração) como a progressão, pois se por um acaso você chegar num ponto da história que precisa acessar ela, pode estar um ou dois meses com antecedência do inverno, ou pior, ter até passado.
Isso por si só infla artificialmente o tempo do jogo, principalmente porque é a dungeon de mid-game. Travar uma dungeon por tempo limitado é uma coisa problemática e uma bola fora, principalmente para esse tipo de jogo que requer farm, grind e revisitação constante de mapas.
Sistema de Batalha: Simples e funcional
O sistema de batalha é simples, um botão para atacar e outro para magias. E só. O quanto de dano você causa não é afetado por seu level, mas o dano que você toma sim. Quanto de dano você vai causar vai depender de quão boa é a arma que você está usando e também se ela tem algum elemento específico e se o seu adversário possui alguma resistência a ela. Por isso, logo cedo, disse o quão importante é você focar em melhorar sua casa para desbloquear a forja, pois as armas que o armeiro da cidade lhe vende são básicas e não vão te ajudar após um certo tempo.
Existem espadas, espadas longas (que não te deixam usar escudos), martelos e lanças para se usar, mas eu me mantive com espadas normais durante todo o jogo, pois eu podia atacar mais de uma vez e me expor menos a golpes inimigos, principalmente contra bosses. O que não acontecia se eu usasse o martelo, pois apesar de dar um dano maior, me deixava muito exposto, o que não é meu estilo. Também se pode usar as ferramentas de campo como foice ou enxada, mas não é recomendável pelo dano baixo.
As armas também são carregáveis (manter o botão pressionado) e o nível de carregamento que elas podem atingir depende de qual arma em si, ao soltar o botão, elas soltam um "poder especial", no caso de espadas, elas soltam um projétil, já em lanças, o personagem vai avançar na direção escolhida com uma espetada. Também há o número de "combo" da arma, que é o número de hits que você pode dar dependendo da arma.
Durante as primeiras 3 dungeons do jogo, que me tomaram cerca de 2 meses in-game, eu tive algumas dificuldades com os bosses, pois meu personagem não causava além de 11 ou 13 de dano por hit, o que requeria eu fazer algum grind de até 10 níveis a mais para derrotar o boss. Não por força de ataque, mas por resistência
Assim que eu consegui a forja, eu coloquei meus olhos na espada chamada Heaven Asunder, que visualmente falando lembra muito a Zangetsu de Bleach (Pela época do Jogo não me surpreenderia a inspiração). Essa espada em específico tinha um número 4 de Combo além de causar um dano muito superior, sendo uma espada de nível alto. Eu não tive mais problemas com o resto das dungeons e atropelei o resto do game.
O lado ruim é que não é há mais dungeons no post-game ou superbosses, então apesar de haver armas, mais fortes, não há real motivos pra você fazer elas, o que torna só um complecionismo vazio ao invés de testar os limites do combate do jogo.
As magias são variadas: bolas de fogo, recuperação de HP, teleporte pra fora da dungeon, entre outras. E apesar de eu ter comprado todas, eu vi pouca utilidade nelas. O personagem dá muito pouco dano com as magias, talvez exista alguma arma ou acessório que aumenta esse dano com elas. Mas eu não cheguei a explorar. Então me contentei apenas com recuperação de HP e os teleportes.
Progressão
Como em jogos típicos de Harvest Moon, há um calendário com datas já predeterminadas. A semana possui seis dias, incluindo o último dia que é considerado feriado, e muitas das lojas da cidade não estão abertas. Cada estação do ano é representada por 1 mês, totalizando 4 meses no ano. Enquanto fui fazendo as contas, notei que cada dia se vivido inteiramente leva cerca de 20 a 25 minutos aproximadamente, dependendo do quão tarde você vai dormir. Como cada mês tem 30 dias, cada mês toma cerca de 12 horas de jogo para se passar, o que é um tempo considerável, mas a tendência é que leve mais, já que os tempos que você passa dentro da sua casa ou estabelecimentos de NPCs não tomam tempo in-game.
Os Pontos de Runa (RP)
Embora o gerenciamento de RP já tenha sido falado aqui, vou dar mais detalhes. RP é a sigla de Rune Points, é o equivalente ao seu MP, a diferença é que seu RP não vai ser gasto só por magias como em RPGs mais comuns, mas sim por todas as ações que seu personagem tomar.
Arar a terra gasta RP, lenhar madeiras gasta RP, lutar com monstros gasta RP, ele não é diferente de uma barra de stamina. Quando a barra de RP estiver totalmente gasta, as ações diminuirão aos poucos o HP do jogador. Enquanto é totalmente administrável você gastar todo seu RP e também parte de seu HP, é sempre bom ficar de olho nesse gerenciamento. Também, por isso, a casa de banho da Melody citada antes é tão valiosa.
Mas não só isso, como dormir no horário certo também é, pois, se você for dormir após 1 da madrugada. No outro dia Raguna acordará com o status de resfriado, e seu RP irá diminuir automaticamente com o tempo, se você der a sorte de ficar resfriado em um dia em que o doutor da cidade não estiver trabalhando, você acabará perdendo o dia tendo que dormir mais cedo.
Então se tudo gasta RP, ao RP tudo pertence?
Efetivamente, mas há outros meios importantes para recuperar RP além da casa de banho da Melody, pois, ao cultivarmos novas plantações, há chances das plantações desenvolverem Runa, uma bola de luz que sobrevoa as plantações que irá recarregar seu RP ao coletá-la. Por isso é importante não só fazer plantações na sua fazenda como também em pontos estratégicos dentro dos terrenos das próprias dungeons, pois, esses pontos não serão mais úteis como terreno para fazer dinheiro, mas fonte de energia, já que de repente aquelas sementes de cenoura level 1 plantado bem no comecinho da dungeon podem se tornar uma fonte de stamina valiosa para continuar sua jornada no dia depois de arar os campos ou até como checkpoint de energia já no late game.
As habilidades de Raguna
Tudo que Raguna faz, ele fica melhor e sobe de nível com o tempo, ao lutar e manejar suas armas, sua proficiência vai aumentando, e como disse antes, isso não aumenta o dano que ele causa, mas vai fazer ele gastar menos RP ao atacar com a espada, lança, etc. Isso vale o mesmo ao usar o machado para cortar madeira, fazer mineração com o martelo. Quanto mais habilidades Raguna subir, menos RP ele gastará ao fazer aquela atividade.
Claro que em casos como cozinhar ou fazer armas, ele precisa de um nível específico para ter uma porcentagem de sucesso. Para fazer uma arma de level 30 na forja, ele vai precisar ter pelo menos um level 20 como artesão, assim, vai ter por volta de 10% de sucesso ao fazer essa nova arma tão forte. Por isso, é novamente importante não fechar os olhos para essas outras atividades.
Domando Monstros para sua fazenda: Eles fazem isso por amor ou escravidão?
Ao adquirir a Luva da Amizade, você pode domar monstros nas dungeons usando ela. Enquanto eles te batem, você acaricia-os até domá-los (Aprende, Pokémon). Monstros têm finalidades diferentes; alguns monstros podem colher suas plantações maduras, outros podem regar plantações. Há monstros de que você pode colher lã, leite, mel e ovos. O jogo não te explica isso de antemão, então só capturando e testando, ou procurar ajuda na internet é sempre útil pra não perder tempo. Há também monstros que você pode usar montaria, mas mesmo os que não fazem nada podem te ajudar no combate se você quiser.

Alguns são mais necessários do que os outros, principalmente para receitas de comida e eventos. Já sobre a montaria e monstros que lutam com você, a montaria em específico não aumenta a velocidade com que você se move, sendo mais um aspecto visual do que qualquer coisa. E a inteligência artificial dos monstros ao lutar do seu lado não é das melhores, e ao levar pro grind ou nas plantações das cavernas eles podem mais atrapalhar do que ajudar, então eu ignorei isso. Mas para colher e regar suas plantas? Mais do que bem-vindos, a automatização é necessária.
Cozinhando, criando armas, melhorando ferramentas, poções e acessórios
Cozinhar não foi a melhor das minhas experiências com o jogo, muito porque na maioria das vezes as receitas requerem ingredientes específicos e de tanto eu ficar guardando tudo o que via, acabou que eu lotei mais minha geladeira do que usei os ingredientes. Ao você comer os pratos, você ganha benefícios e eu adoraria saber qual receita recupera o RP, mas eu nunca soube e nem a descrição do item dá uma noção, na maioria das vezes é algum buff que você não sabe o que é. Então só fica lá.
Alguns pratos têm mais utilidade como presente, como a Felicity que gosta de beringela frita, então há utilidade além do puro consumismo.
As armas, como já dito na seção das batalhas, são úteis e devem ser um ponto de atenção, enquanto podem facilitar sua jornada, assim como as poções e acessórios, poções para recuperar HP valem o esforço ao invés de ir ao médico da cidade pedir pra ele fazer uma pra você, economiza tempo. O mesmo sobre os acessórios, embora, os de late game também são o mesmo para armas, não fazem muito sentido além do complecionismo.
As ferramentas de fazenda e suas melhorias mais altas também só são possíveis pela forja da sua casa, e é muito necessário, embora viável, viver sem elas. Ao carregar a ferramenta de enxada, você pode arar uma grande quantidade de terra, por exemplo, economizando tempo.
Tenho que ressaltar que forjar os itens que você quer pro seu personagem é muito divertido e uma das partes mais subestimadas do jogo, embora esteja travado por um paywall de 200k in-game.
No final, todas essas features, sejam comida, criação de armas e acessórios, dependem muito mais do quanto você quer saber sobre elas do que do quanto o jogo quer te ensinar, pois o jogo em si é muito cru e te dá muito pouca informação tanto de quais itens você precisa como de onde você pode encontrar eles. É perfeitamente possível você zerar o jogo, sem se aprofundar nesses meios e isso é um defeito do jogo. Podia ter um bestiário com informações básicas de drops e localização como todo jogo do gênero e até alguns livros na cidade com detalhes sobre a culinária. Mesmo a descrição dos itens como acessórios é... pouco descritiva...
História
O Reino de Norad é uma das maiores nações localizadas no continente de Adonea, sendo a nação vizinha o Império de Sechs. Norad é conhecido como o berço da humanidade, com uma população diversa de humanos, elfos e outros seres.
O Império de Sechs, é uma ameaça violenta a população de Norad. Governado pelo Imperador Ethelberd, possui uma vasta gama de armamento mágico e tecnológico.
Ambas as nações estiveram em guerra por centenas de anos, e apesar disso tudo, Kardia, uma cidade do reino de Norad, sempre viveu em paz apesar das tensões que ocorriam entre as nações.
Quando Raguna chega aos confins de Norad, aos arredores de Kardia. É uma pequena fagulha de que a paz estava perto do fim dessa longa história.
Ao chegar aos arredores de Kardia, colapsado e sem memórias de nada, Raguna é salvo por Mist. Após uma breve batalha com um monstro. Raguna decide aceitar a proposta de Mist de cuidar da fazenda, e ao conhecer a população da cidade e se habituar com sua nova vida, descobre que Kardia é rodeado por masmorras infestadas de monstros, e após conseguir a permissão do prefeito Goodwin, decide explorar a caverna de Toros para desvendar esses mistérios.
Ao entrar em Toros, Raguna descobre que existem máquinas que invocam monstros e, para chegar a abrir a última porta da caverna, ele precisa derrubar todas essas máquinas. No final, ele descobre que um monstro muito maior, uma Quimera, estava nas profundezas dela. Raguna derrota Quimera.
Enquanto Raguna volta a conhecer mais os cidadãos de Kardia, ao entrar na livraria, Russel, o bibliotecário, descobre que sua filha Cecília desapareceu e pode ter ido para alguma das Cavernas, pois ela tem esse costume. Raguna, então, ao conseguir outra permissão do Prefeito, parte para Clemens. Lá ele resgata Cecília. Ao explorar o último andar. Raguna enfrenta um Minotauro e o derrota. Melody e Mist refletem em como monstros tão poderosos estão sendo chamados, já que o reino de Norad não tem poder tecnológico para invocar tais criaturas.
Enquanto mais um monstro é derrotado, a população de Kardia vai sabendo aos poucos da história. Os cidadãos de Kardia se impressionam com a força de Raguna, ao mesmo tempo que se preocupam com o que pode vir da cidade. Enquanto Raguna ganha mais uma permissão para o Mt Gigant. Raguna escala a montanha. Nas profundezas havia rumores de que Grimoire, um dos dragões míticos dos contos antigos, vivia lá. Raguna derrota o dragão e volta para a cidade. Após a batalha, uma mulher com tapa-olho aparece e diz que os planos estão indo melhor que o esperado.
Enquanto Raguna parte e derrota as ameaças de Misty Bloom e ruínas de Kasimir, Mist se pergunta que tipo de pessoa era Raguna e como ele pode ser tão forte. Raguna diz que não faz ideia e não consegue lembrar de nada. Mist então diz que nada mais importa e que ele está há tanto tempo com eles que agora ele também é parte da cidade de Kardia.
Com tensões aumentando e rumores de que o Império de Sechs tenha passado pela caverna de Danaan, Raguna então decide investigar. Lá, a mulher que apareceu na montanha de Gigant novamente retorna. Ela se chama Lynette, um soldado a trabalho de Sechs. Lynette conta a Raguna que Sechs estava explorando os arredores de Kardia em busca do dragão lendário, o Grimoire, para uso próprio. Raguna diz que ele já derrotou o dragão, mas Lynette revela que ele era apenas uma falsa imitação. Mist, que está sempre acompanhando Raguna, se choca e se pergunta como uma nação pode usar os métodos que Sechs usa, causando terror apenas por poder, mas Lynette apenas indaga que seria um desperdício não obter esse poder.
Assim uma nova batalha se inicia, dessa vez com a Lynette revelando um dos tanques de guerra que seria usado para capturar o dragão contra Raguna. Raguna sai vitorioso e ele e Mist dizem que os planos de Sechs estão acabados, mas Lynette diz que isso não vai acabar assim e ela irá retornar.
Enfim, o clima de batalha se instaura, com os personagens de toda a cidade inseguros, mas botando fé em Raguna, o prefeito Goodwin dá a última passagem pra Raguna explorar a caverna da Ganância.
Ao chegar no último andar cheio de cabos tecnológicos, Raguna novamente encontra Lynette. Lá, ela finalmente revela tudo: Raguna era um Earthmate, pessoas com poderes especiais e com conexões com a própria terra. Raguna foi capturado pelo império Sechs e sofreu lavagem cerebral, sendo então jogado às bordas de Kardia.
As máquinas nas cavernas que Raguna destruiu nada mais eram uma forma de manipulação pra ele gerar energia, com a destruição das máquinas que invocam monstros, as batalhas e principalmente o próprio cultivar das terras nas cavernas que Raguna fez geravam energia o suficiente para o despertar de Terrable, um dos 4 dragões Deuses, o Grimoire das lendas.
Enquanto a batalha ruge, Raguna, com muita dificuldade, derrota o Dragão. Lynette lamenta que Raguna atrapalhou os planos dela. Um homem, então, aparece: Ethelberd. Culpando a Lynette pelo fracasso, Ethelberd diz que ela jamais será bem-vinda de volta a Sechs e que ela tire sua própria vida. Raguna retruca dizendo que ela sempre pode vir para Kardia e que ela não precisa fazer isso. Ethelberd diz que é inútil, pois mais de 100 tanques de guerra logo dizimarão Kardia.

Raguna e Mist partem de volta para avisar a população para evacuar. Ivan, o mercante local, se junta a Raguna para enfrentar a tropa em uma última tentativa desesperada de salvar a cidade. Centenas de tanques avançam e os soldados se alinham em frente às bordas de Kardia. Raguna vê uma sombragigante pairar sobre o céu, Terrable, o dragão agora totalmente despertado vê nas tropas de Sechs suas presas. O dragão então solta uma rajada de energia nos tanques, com a energia da terra infestando os tanques com plantações, cogumelos e afins, tornando os veículos imóveis e inefetivos. O imperador Ethelberd furioso diz que ainda tem os soldados para marchar, mas Raguna rebate dizendo que os soldados não teriam chance. Os Sechs desmotivados e abatidos, recuam e a batalha tem fim.
Enquanto o povo de Kardia retornava, todos eles congratulam Raguna e numa chuva de parabéns eles se impressionam com o quão heróico ele foi. Sutilmente, Ivan diz que ele parece muito mais feliz em Kardia e vai embora.
Ivan então vai para a capital de Norad e se encontra com o Rei Gilbert. Ivan agradece ao rei por deixar o Terrable ajudar na luta final. O rei diz que só foi possível porque Ivan estava lá, já que ele é um dos poucos que o Dragão confia na realeza. E também que Sechs deve ser mantido sob controle, pois a humanidade e a natureza devem andar juntas. O rei também indaga se o jovem que Ivan procurava é seu irmão perdido, mas Ivan diz que não parece o caso.
Personagens
Rune Factory tem personagens bem interessantes e um elenco diverso, e melhor começar pelo começo:
Raguna
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| Apesar de um tanto genérico... ele não é tão ruim |
Apesar de ser um personagem sem memória, ele tem personalidade, o típico herói gentil que se importa com todo mundo. Ele adota as responsabilidades que caem sobre si e tem seu senso de justiça. Ao ir derrotando os monstros das cavernas, eu comecei a me perguntar quem ele realmente era. A princípio, eu achei que ele seria um soldado de Secht pelas habilidades de luta, mas nem passou pela minha cabeça que ele seria uma pessoa com poderes especiais já dentro da lore do próprio jogo
À medida que alguns subplots do jogo avançam, ele demonstra também se importar com o povo de Kardia, como Felicity, que tem uma doença que agrava sua saúde, e Cecília, que se perde em Clemens. Ele também já demonstra, pela própria história do jogo, um apresso pela Mist. Já que ao perceber que pra avançar em Danaan, ele precisa cultivar a terra lá dentro e lembra das frases bobas dela e se pergunta até se ele está ficando como ela.
Mist
A bachelorette e heroína principal do jogo, uma camponesa gentil a ponto de ceder uma fazenda e uma casa pra morar pra um completo estranho. A Mist é a definição de garota estranha, como notado pelos personagens do jogo, a princípio ela parece uma cabeça de vento, se metendo em perigo sem demonstrar muitas preocupações, seguindo Raguna em toda a caverna a que ele vai e até deduzindo algumas partes importantes conforme a história avança. O que demonstra que ela pode ser boba, mas não idiota.
Eu gosto dela, mas ela não dá muitos vestígios além de ser, aparentemente, um guia do próprio jogo que constantemente te dá dicas. Não há muito backstory sobre ela também.
É claro, existem outras gamas de personagens que eu poderia falar, como o Zavier que tem uma paixão pela Mist e faz questão de dizer isso praticamente toda vez que você fala com ele, mas nunca toma a iniciativa.
Sharron, uma garota pálida e franzina que vive às beiras das ruínas de Casimir, sempre solitária e mais preocupada com as ruínas e no late game com o envolvimento de Secht do que com os civis de Kardia. Como ela nunca aparece nos eventos da cidade, não dá pra saber muito sobre ela. Mas ela, sim, mostra um pouco mais de apresso sobre o Raguna uma vez que ele termina de explorar a Caverna de Casimir, por completo.
Existem outras personalidades como Bianca, a garota rica que vive uma vida tediosa, que não se comove com nada e só é possível ganhar a afeição dela falando com ela todos os dias ao invés de dar presentes luxuosos. Russell, que, apesar de ser um bibliotecário, tem uma filha adotiva meio-elfa em Cecília e planeja um dia contar-lhe a verdade. Tabatha, outra meio-elfa que é empregada por Bianca e sonha em um mundo em que todas as espécies possam coexistir.
Todos esses personagens têm algum ponto de charme, seja pelo bom character design que os faz distinguíveis ou algum traço específico, mas falta algo nas histórias deles. Não há grandes eventos ou backstory pra boa parte deles, alguns deles sequer passam por algum dilema durante o jogo todo e isso diminui muito do brilho que esse elenco podia ter. O próprio Ivan seria só um NPC comum se não fosse um plot twist tacado ao encerrar das cortinas no jogo.
Eu gosto dos personagens do jogo, visualmente e por personalidade, mas faltou mais substância.
A fantasia de Harvest Moon tem seu charme, mas tropeça nos próprios pés
Uma coisa em que Rune Factory não pensou muito bem foi em como construir seu calendário e a falta de como seus recursos logo no início podem afetar a experiência do jogar, afinal, esse é um jogo que toma seu tempo, e ver como boa do início do jogo (e até do primeiro ano todo do jogo) você não pode participar do evento de cozinhar porque não tem uma cozinha, ou um monstro galinha pra dar ovo no dia certo praticamente inviabiliza esse processo.
Há também outros eventos do jogo, em que os personagens comemoram datas como a chegada do verão e o dia da abertura da praia, ainda assim, você não os vê com roupas típicas de verão ou indo pra praia curtir o sol. Suas rotinas pouco mudam de um lugar pro outro, o que torna tudo muito monótono e até um dia normal ao invés de especial. De fato, em todas as partes desses eventos, como no fim de ano, eles só ficam parados fora de suas casas. Se resumindo a falar com eles, não há cutscenes ou alguma interação a mais que poderia tornar o dia mais memorável. Boa parte dos eventos do jogo são inviáveis logo no primeiro ano, e não haverá muita chance de você poder refazê-los no ano seguinte, pois você já deve ter terminado a história principal do jogo.
E isso é um problema que agrava, afinal, há poucos desses eventos, tirando isso, é só aniversário de personagens, que boa parte são indiferentes também. A rotina no jogo também pega pelo avesso, já que, ao se habituar com os personagens, você vai notar que eles pouco têm falas novas ou específicas conforme o tempo avança. Tornando as coisas monótonas e sem graça com o tempo.
O desafio do jogo está, sim, em reformar sua casa o mais rápido possível pra forjar seus próprios itens, pra mim, a melhor parte do jogo. Pois é aí que o jogo brilha, em compensação, depois disso você não vai ter muito o que fazer com tanto dinheiro, já que mais dinheiro não vai te ajudar a farmar materiais e haverá poucas coisas que você poderá comprar depois de ficar rico. A falta de conteúdo machuca muito, principalmente no post-game onde há pouco o que fazer.
As interações com os personagens não são difíceis, falar com os personagens quase todos os dias de evento me fez conseguir ter amizade máxima com todos eles sem nenhuma exceção até o fim do jogo, o que também me fez não me preocupar em tirar tempo pra presentear eles até em dias que eram seus aniversários. Ficou um misto de falta de importância com monotonia, de novo, faltaram histórias, eventos, mais conteúdo.
Então, enquanto eu jogava, eu notei que uma gigantesca parte do loop do meu jogo se tornou eu melhorar a qualidade das minhas plantações, falar com personagens com falas repetidas e brincar nas dungeons, seja fazendo fazendas imensas ou procurando itens. Assim que eu cheguei no meio do jogo e a Misty Bloom Cave estava bloqueada, eu fiquei cerca de um mês in-game sem poder avançar na história. O que me deu tempo de ganhar alguns levels a mais e tankar o modo história do jogo. Quando enfim chegou o inverno, eu me certifiquei de forjar a Heaven Asunder, e assim o jogo se quebrou de vez, oferecendo nenhum desafio até o fim da história. Eu dizimei o tal Dragão Deus sem nenhuma dificuldade.
Coletar monstros teve seu charme, apesar da maioria deles, em prática, não ajudar muito. Mas o processo de automatizar a fazenda foi útil. O combate é até legal, mas não oferece grandes desafios.
Uma coisa que Rune Factory certamente fez foi botar uma ênfase a mais no romance, existem eventos em que garotas te dão chocolates no dia (!), além de uma vasta gama de garotas pra você interagir. Também há o dia em que você pode dar cookies pra ela, mas de novo, lembre-se da cozinha e falta de recursos. Existe até o dia em que você escolhe pode escolher alguém pra passar uma noite (pra conversar!). Embora se resuma, em uma conversa breve, a garota logo volta pra casa.
Também há, claro, o casamento, mas a verdade é que eu passei tanto tempo tentando sair da pobreza que quando notei, o jogo estava quase no fim. No final do jogo eu tinha sim Bianca, Mist, Tabatha, Felicity e outras garotas com afeto maximizado e prontas pra um pedido de casamento. Mas no fim, como eu já tinha terminado o jogo e pouco procurei me relacionar com elas, eu só decidi ver a história final e pôr um fim no jogo, afinal, já tinham se passado 70 horas de campanha. Ao invés de amar uma, eu amei todas, então pra quê casar?
Rune Factory é defeituoso, mas estabeleceu bases pra fazer a franquia crescer
O que não dá pra negar é que Rune Factory inovou os jogos de fazenda com games de todos os tipos, até na Steam, que tomam muito do que Rune Factory fez. Coleta de monstros, dungeons, forjamento de armas... Jogos como Stardew Valley e Moonstone Island se aproveitaram disso e fizeram deles sua fama.
É claro, Rune Factory tá aí até hoje, sendo o último jogo da franquia lançado em todas as plataformas, pra mim. A Fantasy Harvest Moon em si tem seus problemas, mas já a franquia é lendária, e esse jogo merece o respeito por começar tudo.
Quem sabe um dia eu avance para o Rune Factory Frontier, a sequência dessa história do Raguna. Ou talvez até pro Rune Factory 2. Mas por ora, eu já tive o suficiente de fazendas.
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