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| Você deve estar me achando louco por botar um R36s ao lado desses titãs, mas me escute… |
Nunca tivemos tantas opções como hoje
Essa é uma dúvida que tem me rondado há um tempo. RPGs têm sido mais presentes na minha vida do que meus pais. Joguei mais jogos do que gosto de admitir e tive a sorte de rodar vários deles no hardware original. Por isso, acredito que consigo dar uma visão bem vivida sobre o assunto.
Vou falar sobre como Nintendo, PlayStation e Xbox se comportam no universo dos RPGs, e ainda mostrar outras opções que cabem no bolso suado de quem vive no Brasil. Tenha em mente que estou escrevendo isso numa sexta-feira de abril de 2026 — pode ser que ano que vem a Sony lance um “RPGstation” e eu esteja comendo chocolate de Páscoa em vez de escrever. Todos estariam mais felizes.
Nintendo
A Nintendo é a casa original do JRPG. Se você curte o gênero, ela é uma escolha certeira. Temos desde a era de ouro dos anos 90 até os títulos mais obscuros (e nem tão obscuros) do DS e 3DS, embora, emular esses portáteis não entrega a mesma experiência. Jogos como Inazuma Eleven ou The World Ends With You perdem muito sem o hardware original na mão.
No presente, o Switch se tornou o console número 1 do Japão. Dragon Quest ganhou remakes da trilogia clássica, Live A Live voltou, e franquias “B” da Square como Bravely Default, Octopath Traveler e Triangle Strategy encontraram aqui um lar natural. Com o Switch 2 já no ar e rumores de um remake de uma certa franquia de viagem no tempo, o futuro do JRPG na Nintendo parece extremamente promissor.
Claro, também temos os exclusivos de peso: Fire Emblem, RPGs do Mario e o próprio Pokémon. O grande porém é o hardware. Um AAA ocidental ou oriental (um novo The Witcher ou Final Fantasy, por exemplo) é improvável de chegar com bom desempenho.
No fim das contas, acho a Nintendo uma ótima opção principalmente para quem não tem pressa. Os jogos dela envelhecem muito bem. A única exceção talvez sejam os Pokémon modernos, com seus eventos e mecânicas online.
PlayStation
Há 10 anos, a PlayStation era de longe a casa dos RPGs japoneses. Persona 5 explodiu e até foi parar no TGA, a franquia Souls nasceu e cresceu aqui, e temos Bloodborne preso no PS4 até hoje. Eu mesmo comprei um PlayStation 4 na época só por causa de Persona 5. Sem falar em jogos nichados que nem vendem direito no Ocidente, como SD Gundam G Generation Genesis ou a série Super Robot Wars — que só dá pra comprar com conta de Singapura.
A vasta maioria dos RPGs ainda aparece primeiro (ou com mais qualidade) no PlayStation, inclusive títulos da Vanillaware, que já disseram abertamente que não pretendem portar suas IPs ao PC.
Porém, a PlayStation está cada vez mais ocidental e cinematográfica. O que já foi lar de Breath of Fire IV e Xenosaga hoje prioriza jogos mais mainstream. Não os culpo — empresa vai onde o dinheiro está. Até a Final Fantasy seguiu esse caminho.
Ainda assim, se você gosta dos grandes exclusivos, da franquia Souls e dos RPGs mais badalados do ano, a PlayStation continua sendo a plataforma mais segura para jogos de alto investimento. Só não espere spin-offs mais japoneses como os de Dragon Quest. Franquias com público mais nichado ainda preferem a Nintendo.
Xbox
A Xbox é a casa de Lost Odyssey, Blue Dragon, Fable, Jade Empire e do obscuro Shin Megami Tensei NINE.
É difícil dizer exatamente onde ela se encaixa hoje. A Microsoft, de tempos em tempos, joga uma isca para o público japonês — a mais recente foi o anúncio de Persona no Xbox Showcase. Para mim, isso foi muito canalha. Pegar a franquia do momento e dar destaque só para tentar dizer que se importa com esse público, sem nunca investir de verdade no gênero. Pareceu mais um golpe sobre as licenças de exclusividade da PlayStation.
Já se foram quase 20 anos desde Lost Odyssey e Infinity Undiscovery (2008). É verdade que eles têm bons RPGs ocidentais na sua história (Witcher 2, Starfield, e além da exclusividade de Mass Effect quando lançado.) e que isso combina mais com a identidade da marca. Mas o anúncio de Persona no Game Pass não enganou ninguém.
Com os aumentos constantes do preço do Game Pass, a mudança de foco para cloud gaming e a falta de tradição em RPGs japoneses, fica difícil recomendar o Xbox para quem quer investir no gênero.
Por outro lado, eles compraram a Bethesda… quem sabe um futuro Elder Scrolls? É uma conversa muito hipotética, ainda mais com jogos demorando tanto tempo para se desenvolver. Além do mais, é muito improvável que uma franquia gigantesca fique só no console do Xbox e não apareça na Windows Store, Epic ou Steam ao longo do tempo. Enfim, é muito “e se”…
Minha opinião sincera? Se você já tem o console, aproveite a biblioteca de third-party e os RPGs ocidentais. Mas comprar só por causa de JRPG? Só se achar por preço muito abaixo do mercado.
A boa notícia é que dá para aproveitar muita coisa moderna do Xbox sem nem precisar do console…
PC
Não é novidade para ninguém: o PC é a melhor plataforma para jogar RPGs hoje.
Além da rica história dos CRPGs (que merecem um texto só para eles), você tem emulação pesada, patches de fãs traduzindo jogos antigos e uma quantidade absurda de títulos disponíveis. Até meados de 2015, a Steam era bem pobre em JRPGs — tinha basicamente Final Fantasy e Neptunia. Hoje, quase tudo que sai no PlayStation ou Switch chega aqui, com raras exceções.
A GOG faz um trabalho excelente resgatando clássicos abandonados. Foi lá que Breath of Fire IV saiu do limbo recentemente, e os fãs de Digimon World trabalham forte para trazer de volta seu jogo favorito pelo mesmo programa. Você inclusive pode ajudar na votação aqui.
No PC também nascem e brilham os RPGs indies. São dezenas por ano que passam despercebidos, e é uma ótima forma de experimentar coisas novas sem gastar muito. Não sou daqueles que acham que “indies vão salvar o mundo”, mas Undertale fez mais pelo gênero nos últimos 10 anos do que muito Final Fantasy.
Ainda tem ferramentas como o Playnite, que unem todos os seus jogos num lugar só. O único problema é a famosa “Síndrome do PC Gamer”: opções demais podem fazer você perder o foco. Se você é desse tipo, talvez um console seja mais saudável.
Consoles Emuladores Portáteis e Celular
Aqui entramos no território que mais faz sentido para o bolso brasileiro que não vê problema em ficar fora do hype. Marcas como Retroid, Ayn e Trimui oferecem várias opções com preços variados.
Os modelos R36S e R36H são ótimos para RPGs clássicos de SNES, PlayStation, Game Boy, Mega Drive e até os mais obscuros de WonderSwan. É o paraíso para jogos que nunca saíram do Japão e foram traduzidos por fãs. Só fica o alerta: existem clones ruins, então invista num bom cartão SD e estude bem antes de comprar. Se o fizer, você pode jogar jogos como o Digimon World 2 ou Tales Of Phantasia antes de tirar um cochilo de uma forma muito mais engajante. Se colocar todos os custos no bolso, sai por volta de 300 reais um R36s devidamente cuidado e turbinado.
Ainda mais em conta é o celular. Um aparelho de uns R$ 1.000 já roda PS2 tranquilamente. Se quiser algo ainda mais barato, dá para pegar um recondicionado de R$ 500 no Mercado Livre, instalar o RetroArch e transformá-lo num emulador portátil dedicado — com bateria melhor ainda. Assim você separa o celular do dia a dia do “console de RPG”.
Tem também a loja do Google com ports oficiais (não vou falar da qualidade desses ports, mas é bom ressaltar: eles existem) e aplicativos como Lunchbox para organizar a biblioteca, igual o Playnite faz no PC. E, honestamente? Um Zenonia ainda entrega muita diversão.
Conclusão
Acredito que nunca vivemos um momento tão bom para RPGs eletrônicos. O gênero renasceu com força nos últimos anos, e seja RPG ocidental ou oriental, estão todos indo bem.
É fato que a escassez de memória RAM pode inflar os preços do hardware e isso pode deixar tudo mais complicado. Ainda assim, mesmo para quem não se importa tanto com lançamento, um computador mais humilde ou um console emulador já te dá tantas opções que dá para você se organizar até conseguir comprar algo melhor. Particularmente, eu dou mais valor a um RPG do SNES do que a um Avowed da vida, mas esse sou só eu.
Vivemos na era do hype e às vezes tenho mais a sensação de que as pessoas gostam mais de se sentir incluídas do que de viver uma boa experiência. Para isso, pense bem em que tipo de jogador você é.
Com rumores de um novo portátil da Sony no horizonte, tudo indica que o cenário só vai ficar mais interessante. Seja no console, no PC, num emulador portátil ou no celular, essa é, sem dúvida, a melhor época para você pegar sua espadinha virtual e conhecer velhos ou novos reinos por aí.

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