Existem aventuras inacabadas também
Todos nós passamos por esse momento, o momento em que simplesmente somos derrotados. Já sofri game over de um Wendigo — o primeiro boss de Devil Survivor. Ou O Jecht em Final Fantasy X. São situações normais para quem joga.
Há momentos em que você não consegue avançar pelos mais diversos motivos; talvez um puzzle, talvez porque não prestamos atenção nas mecânicas, talvez a vida pessoal esteja difícil e não tenhamos mais cabeça.
E então, o que acontece quando não temos a vontade de continuar? Quando o game over é moral? Quando você não consegue avançar pelos mais diversos motivos e nunca voltou a tentar de novo? Quando o jogo vira um sinônimo de uma tarefa, ou pior, só mais um nome perdido na sua biblioteca da Steam?
Vou registrar seis jogos que me marcaram e que eu nunca voltei para jogar. E que talvez, sejam nomes cotados nos próximos Falando Sobre RPGs.
Super Mario RPG: Legend of the Seven Stars
O literal primeiro RPG que joguei. Tenho memórias boas com esse jogo porque ele era simples e engajante. Qual a melhor maneira de fazer uma criança gostar de RPGs? Você faz ela jogar um RPG de personagens que ela já conhece. Foi assim com Mario para mim. Na época, era só mais um jogo de Mario, mas com alguns personagens estranhos e que nunca vi, que me animava a continuar. Mal eu sabia que viria a ser meu gênero favorito de jogos.
O único problema? Eu só tinha 8 anos. Eu não sabia inglês naquela época, ainda aprendia a separar sílabas na escola. Então o RPG do Mario virou uma longa memória de como o Wario sequestra a princesa Peach e você os persegue enquanto desvia de madeiras. Após isso, eu travei no jogo e não sabia mais para onde ir. Quer um motivo do porquê jogos localizados são importantes? Tá aí um motivo.
Breath of Fire IV
Esse, em particular, eu fico incomodado até hoje. Para mim, não era apenas um jogo; era o jogo do momento. Existem poucas coisas que podem curar um jovem do vazio de ter terminado Chrono Cross e nunca ter achado nada tão engajante quanto. BOF4 preencheu essa lacuna.
Porém, era o PlayStation, uma época em que muitos jogos vinham com múltiplos CDs, e esse jogo não era diferente. Então, o que acontece em um jogo com dois discos quando a transição do primeiro para o segundo não funciona? É... Um chute forte no estômago.
Infelizmente, eu nunca cheguei a ver o desfecho de Ryu e Fou-Lu... Uma história que talvez me marcasse para sempre, mas foi cortada abruptamente por limitações além das minhas capacidades.
Radiant Historia
Uma pérola do Nintendo DS. Viagens no tempo e estrutura não linear. Eu adoro esse tipo de abordagem porque me lembra Chrono Cross, e Radiant Historia — apesar de ser fundamentalmente diferente — possuía esses temas.
Agora, diferente dos dois títulos anteriores que mencionei, no DS eu tinha muitas opções e muita coisa para jogar. Eu sequer lembro o nome dos personagens, e também porque eu achei esse jogo ligeiramente mais difícil do que o normal para jogos do DS. Também não fui muito longe e mal lembro o exato motivo de não ter terminado esse jogo, mas chuto que foi por causa do lançamento de Pokémon Black & White na época.
Peço perdão, mas, jogar Pokémon no lançamento em 2011 era um evento que eu não podia perder.
Grandia III
O primeiro e único Grandia que joguei é um em que o protagonista luta ao lado da sua mãe, inclusive. Esse eu lembro exatamente o motivo do porquê eu nunca consegui terminar: limitações técnicas do jogador. Sim, esse aqui eu apanhei para um boss, tanto que me desmotivou a jogar. Uma derrota amarga para o narrador desse texto.
Não lembro exatamente como ou qual era o boss, mas lembro que era em um tom meio verde. Talvez dentro de uma árvore ou caverna? Eu sei... meio vago... mas estamos falando de mais de 15 anos aqui, talvez 20... Eu sequer lembro quando joguei esse jogo. Deus, estou velho...
Uma coisa que eu lembro? A personagem, que talvez se chamasse Miranda, gritando: "Prepare to Die", enquanto soltava seu golpe especial. As coisas mais marcantes eu lembro!
Odin Sphere
Um clássico do PS2. Jogar esse jogo era quase como estar lendo um livro infantil. Ele tinha toda essa estética de livro e desenho animado; era lindo.
Nunca cheguei a ir muito longe. Lembro de ter terminado o capítulo da Gwendolyn. Uma coisa que me marcava era o sistema de comida do jogo, além das poções. Tudo era tão bem feito e caprichado. Era um dos jogos em que eu me sentia muito imersivo.
Infelizmente, era por volta de 2008, ensino médio e problemas familiares; acabou que deixei pelo meio do caminho.
Radiata Stories
Esse não é só um jogo que eu quero voltar a jogar, mas que eu espero um remaster para plataformas modernas. É pedir demais?
São memórias similares às de Odin Sphere, e os mesmos problemas do porquê eu nunca terminei esse jogo.
Esse jogo tinha inúmeros personagens recrutáveis e ciclo de dia e noite. Os personagens tinham até rotina. Era um charme à parte para um jogo de Play 2. Além do clima de guerra presente nele. Jack também era um dos personagens mais marcantes que conheci. Sério, o rapaz tinha carisma.
Uma coisa é certa: esse jogo não é tão lembrado como outros famosos do sistema. Será que minha memória afetiva está sendo generosa demais ou eu apenas não cheguei longe o suficiente para saber? Quem sabe um dia ele apareça por aqui também...

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