Chegando ao Vilarejo de Torchlight
Eu preciso confessar algo: não tenho muita experiência com RPGs ocidentais. Isso se deve, em grande parte, ao fato de ter passado a vida jogando em consoles em vez de no PC. Considerando como boa parte desses jogos não estavam disponíveis nas eras 16 e 32 bits, isso acabou moldando o meu gosto pessoal. Existe um universo quase infinito de WRPGs desconhecidos para mim que ainda preciso explorar.
Quando o assunto são os RPGs isométricos de ação frenética — os famosos Hack 'n Slash —, minha memória é bastante vaga. O único nome que me vem à mente de imediato é X-Men Legends II, um marco do PlayStation 2. Mas não começaremos por ele, e sim por um jogo que carrega a famosa pecha de "clone de Diablo": Torchlight.
O motivo dessa fama é simples: os próprios criadores da franquia Diablo estão envolvidos no projeto. Em mais uma daquelas histórias em que o sonho de um estúdio é ceifado pelo capitalismo malvadão, os desenvolvedores tiveram que recomeçar do absoluto zero após perderem seus conceitos, ideias e até o código de seu projeto anterior.
Torchlight traz em suas raízes o espírito de Diablo em sua forma mais crua. Então, prepare-se, aventureiro: temos um longo caminho pela frente nas profundezas das minas. Apenas certifique-se de não enlouquecer no processo.
Sobre o jogo
![]() |
| Da esquerda para a direita: Vanquisher, Destroyer e Alchemist |
Torchlight é um RPG de ação dungeon crawler desenvolvido pela Runic Games e publicado pela Perfect World Entertainment, lançado originalmente para Windows em 2009. Mais tarde, em 2011, recebeu um port para a Xbox Live Arcade.
O título reuniu as mentes de Travis Baldree (FATE), Max Schaefer e Erich Schaefer (co-criadores de Diablo I e II), além de membros veteranos que trabalharam no projeto Mythos.
A versão que joguei foi a de PC e falarei apenas sobre ela como experiência.
Desenvolvimento: A queda da Flagship Studios e a fundação da Runic
A Flagship Studios era conhecida por Hellgate: London e havia sido fundada por ex-funcionários da Blizzard North (Bill Roper, os irmãos Mex e Erik Schaefer e David Brevik). Eles estavam desenvolvendo Mythos, um RPG online na pegada de Diablo. Porém, devido a graves problemas financeiros que levaram à falência do estúdio em agosto de 2008, a equipe foi demitida. Para piorar, os direitos da propriedade intelectual acabaram nas mãos da empresa sul-coreana HanbitSoft.
Sem desistir da ideia, Travis Baldree fundou a Runic Games no mesmo mês da falência da Flagship, reunindo outros 14 membros da equipe original para terminar o que haviam começado. O desafio era colossal: criar um jogo novo do zero, sem utilizar nenhuma linha de código ou arte do projeto anterior.
A ideia inicial de fazer um MMORPG de grande escala deu lugar a um conceito mais realista: um jogo menor, single-player, com desenvolvimento mais curto e foco total em polimento. Para a direção artística, buscaram inspiração no filme de animação Os Incríveis e no clássico jogo de aventura Dragon's Lair. Para completar o pacote, o renomado compositor Matt Uellman (responsável pela trilha sonora de Diablo) foi convocado para compor as músicas.
Desenvolvido em apenas 11 meses, Torchlight foi um sucesso de crítica e público, garantindo o título de "clone de Diablo bem-feito".
A Ação Frenética: Sem tempo, irmão
Ao chegar no próspero vilarejo de Torchlight, o jogo perde pouco tempo com apresentações. Na verdade, a narrativa é quase nenhuma. O jogo chega com os dois pés na porta, focado na jogabilidade.
Você é jogado imediatamente na exploração de masmorras e no combate frenético, que são a alma e o coração da experiência. É onde você passará 95% do seu tempo e, mesmo quando a campanha terminar, o jogo ainda entregará pouca satisfação no quesito história.
O vilarejo funciona como um hub central para preparação: você conversa com NPCs, compra suprimentos e aceita missões secundárias, bem estilo dos MMORPGs da época. Torchlight é um RPG para quem não tem paciência para textos longos. Achou as motivações dos vilões enfadonhas? Sinta-se em casa: aqui o foco é bater em bicho feio.
Exploração: O Vilarejo
O coração do jogo, Torchlight, é sua base central para se preparar, e avançar rumo às masmorras durante a campanha principal com seus 35 andares, usar mapas que geram cavernas para explorações extras. Você também contará com seu pet leal para lidar com imprevistos na jornada e aceitar missões de NPC. Finalmente, o Post-game é onde o jogo guarda o grande grind com mais desafios e os bosses com itens mais raros.
Torchlight (O Vilarejo): O lar onde muitos aventureiros costumam buscar sarna para se coçar, mais do que uma importância para a história do jogo, o vilarejo traz muitas benesses ao jogador:
Os Serviços do Vilarejo:
Comércio Local: NPCs vendem armas, armaduras, poções, pergaminhos de identificação, portais de retorno e mapas que geram masmorras randômicas para buscar novos loots.
Enchanter (Encantador): Adiciona efeitos aleatórios aos seus equipamentos em troca de ouro. Porém, há chances do encantamento falhar e apagar todas as propriedades anteriores do item. Isso gera um dilema de ganância constante: vale a pena arriscar perder um arco épico para tentar colocar mais um atributo?
Transmuter (Transmutador): Combina 4 itens para gerar um novo e mais forte (sejam poções, gemas ou combinações específicas que criam itens cômicos, como o Sushi Helm).
Gargan e Duros (Gestão de Sockets): Duros consegue remover gemas de uma armadura destruindo o equipamento; Gargan faz o oposto, destruindo a gema para recuperar o espaço vago na peça.
Baús de Armazenamento: Conta com o baú pessoal e o baú compartilhado, que permite transferir itens lendários entre diferentes personagens da sua conta.
Doca de Pesca: Permite pescar peixes que, ao serem dados ao seu pet, o transformam temporariamente em monstros mais fortes ou concedem bônus temporários ao seu herói.
Missões: A NPC Syl entrega as missões da campanha principal, enquanto Vasman e Trill-Bot 4000 fornecem tarefas secundárias de caça a artefatos de Ember e monstros.
Descendo as masmorras
![]() |
| Não se engane: as caveiras são amigos de longa data |
Ao caminhar pelas masmorras, você pode achar salas secretas que você pode descobrir quebrando itens, puxando alavancas ou até pisando em pisos falsos, em raras ocasiões. Você pode achar baús escondidos, salas de tesouros e itens raros. Também há os santuários mágicos, onde você pode encontrar gemas gigantes que curam seu HP, Mana, ou dão algum bônus adjacente. Também há armadilhas, monstros mais fortes que o normal e os Phase Beasts, que, se derrotados, abrem um portal para um mini-game ou desafio de sobrevivência.
A Estrutura das Masmorras:
As Minas (Campanha Principal): 35 andares divididos em 7 biomas diferentes. Cada bioma possui waypoints (pontos de viagem rápida) para você ir e voltar sem refazer todo o trajeto.
Mapas Comprados: Geram masmorras procedurais e únicas sem pontos de retorno. Se usar um portal para a cidade, a masmorra se fecha.
Shadow Vault (Pós-jogo): O cofre das sombras é um calabouço infinito onde cada andar é gradativamente mais difícil, ideal para grind de alto nível.
O espaço limitado e o "slow burn" do inventário
![]() |
| Eu carinhosamente comecei a chamá-la de Undertaker por causa do chapéu |
Para mim, o grande problema da exploração em Torchlight é o espaço de inventário limitado. O jogo te chove de loot o tempo todo — de baús, chefes e inimigos comuns. Há tantos itens caindo na tela que você passa um tempo excessivo gerenciando recursos em vez de focar na ação.
Qual item manter? Qual descartar? Na maior parte do jogo, eu simplesmente ignorava itens comuns e pegava apenas o que era raro.
Seu mascote ajuda nisso, mas a viagem dele até a cidade para vender o todos os itens levam cerca de dois minutos — tempo em que você fica sem o auxílio dele em combate. Embora esse problema seja facilmente contornável com mods da comunidade no PC, a experiência no jogo base chega a ser cansativa por conta disso.
As classes e o sistema de combate
O jogo conta com 3 classes base. Embora qualquer classe possa utilizar qualquer arma ou magia aprendida por pergaminhos, o que pode mudar completamente o ritmo de cada jogador. Cada classe também possui 3 árvores de habilidades distintas.
Destroyer: O guerreiro tradicional. Focado em ataque bruto, alta defesa e controle de grupos. Suas árvores são Berserker (dano rápido e crítico), Titan (defesa e sobrevivência) e Spectral (invocação de espíritos aliados).
Vanquisher: A patrulheira ágil especializada em combate à distância (pistolas, arcos e bestas). Suas árvores são Marksman (dano de projéteis e AoE), Rogue (ataques de adaga e debuffs) e Arbiter (armadilhas e magias de proteção).
Alchemist: O mago frágil com temática steampunk. Suas árvores são Lore (invocação de golens mecânicos e buffs), Battle (combate de médio alcance com espadas e proteção) e Arcane (magia destrutiva elemental clássica).
Apesar das árvores de habilidade serem únicas e darem um ar de classe para seu herói, você pode ir unindo habilidades singulares de cada árvore para deixar seu personagem um híbrido ou até único, se assim desejar. Isso também passa pela ajuda dos pergaminhos de magia, que contam com magias como Haste, Fireball ou cura, que podem ser aprendidas por qualquer classe. Isso torna o combate amplamente dinâmico e customizável, podendo transformar seu Destroyer, tanque de guerra clássico, usando Haste, tornando-o ainda mais ágil e imprevisível.
A experiência sendo a pistoleira necromante
Eu joguei com a Vanquisher. Como não gosto muito da mecânica pura de "atacar e correr" (hit and run) e meu pet estava frequentemente ausente vendendo itens na cidade, decidi equipá-la com a magia Summon Skeleton.
Isso mudou bastante minha experiência: eu invocava até cinco esqueletos para formarem uma linha de frente enquanto eu metia bala de longe com total segurança. Eu gastava bastante mana, mas o drop de poções é generoso. Foi diferente jogar como uma "pistoleira necromante"! A flexibilidade de construir builds híbridas é, sem dúvidas, o ponto mais forte do combate de Torchlight.
Batalha nas masmorras!
Indo direto aos comandos básicos, com seu botão esquerdo do mouse você se movimenta, e com o direito você usa sua habilidade principal, que você pode settar (ou alguma poção, se preferir). Segurando a tecla Shift, você ataca sem sair do lugar, ótimo para combate a longa distância. Por fim, você tem os atalhos de 1 a 10 do teclado para customizar como quiser.
Tipos de armas e equipamentos
Seu estilo de combate também pode mudar de acordo com as armas, usando armas duplas (dual wielding), arma e escudo e arma de duas mãos.
- Armas duplas aumentam a velocidade com a qual você ataca, e honestamente, minha favorita pra quem gosta de ser ofensivo.
- Arma e Escudo aumentam o equilíbrio, sendo ideal para um jogo mais conservador. Escudos dão mais chances de bloquear ataques inimigos.
- Armas de duas mãos têm ataques mais lentos, mas causam dano bem maior. Em casos de armas brancas, como espadas, podem causar dano em área atingindo muitos inimigos por perto.
Seu pet
Seu animal de batalha, que pode ser um gato ou cachorro, é seu companheiro nas explorações e ele é útil nas duas frentes: explorando e combatendo inimigos na sua jogatina.
Durante a exploração, seu pet tem sua própria mochila, na qual ele pode carregar itens que você pode transferir para ele. Ao clicar no botão de viagem, o seu pequeno amigo viaja de volta para Torchlight para vender tudo que está na sua mochila, aliviando o peso de tanto loot e te dando um dinheiro extra. Baita comerciante, hein? Claro, isso leva cerca de 2 minutos até ele voltar para sua equipe. É bastante tempo, considerando que você vai ter esse problema com frequência. Esse tempo pode ser diminuído ao adquirir uma habilidade específica e evoluí-la.
Já no combate, seu pet tem 3 posturas para ele seguir durante a luta: Agressivo, para ele atacar o que estiver na sua frente; Defensivo, para atacar quem mira no Herói; e Passivo, para ele apenas te seguir, útil em localidades mais difíceis. Seu pet não morre em batalha, ele apenas deixa de combater caso perca todo seu HP. Você pode usar poções para voltá-lo ao normal.
Seu pet também pode equipar duas magias com pergaminhos, assim como seu Herói, além de uma coleira e dois anéis para aumentar seus atributos.
Como eu joguei com Vanquisher, eu deixei meu pet com a magia Summon Archer Skeleton para combinar com meus esqueletos, enquanto meus esqueletos eram pequenos guerreiros que partiam para o ataque, os dele eram arqueiros fixos que rodeavam os inimigos com flechas. Necromancia e Alegria!
Claro, como já dito, você pode dar peixes para seu pet se tornar um monstro bizarro causador de dano. O único problema é que boa parte são apenas alguns minutos de transformação, e pescar é uma certa tarefa de grind. Então, vai de cada um. Eu achei mais útil no terço final do jogo.
História: A Maldição do Minério Ember
![]() |
| Essá é a Syl usando alguma bruxaria de proteção |
Torchlight começa com a apresentação de seu personagem (cada classe, com suas motivações diferentes) e seu monólogo ao chegar no vilarejo, e aproveite bem o momento, pois essa será uma das poucas vezes que ele falará algo nesse jogo. Muito menos ter algum desenvolvimento.
Enquanto você explora o vilarejo, você vê os civis comentando sobre a dualidade do local. Embora alguns vejam no vilarejo uma oportunidade de crescimento, outros querem logo ir embora, pois monstros constantemente saindo das minas é um perigo e sentem que algo pior está por vir. Alguns, inclusive, gostariam de sair imediatamente.
Rumo às minas, o herói encontra personagens lutando contra monstros na entrada da caverna. São Brink e Syl, ambos novos aventureiros que também acabaram de chegar, contatados pelo seu mentor, Mestre Alric, para ajudar na constante invasão de monstros no Vilarejo. Syl, então pede sua ajuda para ajudar Brink antes que ele seja morto.
Assim que você adentra as minas, você encontra um pedaço das anotações de Mestre Alric sobre suas descobertas do lugar, e assim isso se repetirá a cada novo bioma. De primeira, descobrimos que os locais são abundantes em Ember, um mineral que garante poderes e magias aos usuários, mas que os corrompe, transformando-os em monstros no processo. Mestre Alric também foi afetado por uma e resolveu seguir adiante em busca de se "purificar" desse mal.
Por fim, ao herói encontrar Brink. Alric já foi consumido pela corrupção do minério e transforma Brink em um demônio, forçando você a matá-lo. Syl lamenta e acaba sabendo que foi um plano de manipulação de seu mentor, e reflete se a corrupção da Ember já não o está controlando. Ao notar que o herói também foi contaminado, ela diz que ele precisa achar a cura para não acabar igual.
![]() |
| Ela se conforma tão rápido quanto todos nós |
Através do próximo bioma, descobrimos resquícios de Estherian, uma antiga civilização que foi consumida pela maldição da Ember. Em Tu'tara Caverns, através das notas de Alric, vemos que ele fica cada vez mais fascinado pelas Embers, e mais distante de seu objetivo inicial de obter a cura. Em Vast Charm, Alric comenta sobre o Herói resistir ao chamado de Ordrak e envia um titã para consumi-lo e passar pela mesma mutação que Brink, mas sem sucesso.
Através da Molten Prison e de enxurrada de Goblins que o Herói enfrenta, as notas de Alric revelam que os anões também foram consumidos pelos minerais, tornando-os lacaios de Ordrak no processo. Enquanto Alric reflete que consegue ouvir "vozes" da Ember, ele também diz que, apesar de Ordrak ter um poder vasto, ele não sai da fonte da sua imortalidade. Sua essência atravessa pelas veias (a Ember) e corrompe sem nenhum propósito.
Finalmente, o objetivo de Syl e o Herói é chegar à forja da Ember, e assim eles conseguem. Lá, eles querem usar a forja para remover a corrupção do minério sem afetar os poderes do herói. Enquanto o Herói está na plataforma recebendo a assistência da forja, Alric aparece. Syl tenta botar algum senso no velho, dizendo que eles precisam destruir Ordrak, mas ele a sequestra. O Herói então desce para o último bioma, o Black Palace.
![]() |
| O velho ficou doidão |
Lá, ele enfrenta Alric, com o poder de invocar Dragonkins, demônios-dragões. Alric revela que, antes de libertar Ordrak, é necessário um sacrifício. Indicando que a Syl foi raptada para isso, e que esse era o plano dele tê-la chamado ao vilarejo. Alric consegue fugir após ser derrotado.
No piso final, Alric dá a sua própria vida para reviver o Colosso Dragão. Após muitos dragões e golpes trocados, Ordrak é vencido, e o herói solta outro monólogo sobre sua vitória, e sobre permanecer em Torchlight mais um pouco e enfrentar o mal que ainda assola o vilarejo (indicando o Shadow Vault).
![]() |
| O boss final requer muita paciência |
Por fim, no vilarejo, Syl aparece e agradece ao herói que quebrou o ciclo de maldição da Ember, apesar de a corrupção não ter desaparecido por completo.
Torchlight (2009) possui um bom gameplay, mas tudo envelhece rápido
![]() |
| O famoso: "a gente se esbarra" |
Nada de créditos, cenas rolando ou coisas mirabolantes. O minério em Torchlight chamado Ember dava poderes a quem o usava, mas também causava mutações e os transformava em monstros. E isso era algo que ocorreu por civilizações inteiras conforme passamos pelos andares das masmorras. Em determinado ponto, Alric começa a citar aleatoriamente Ordrak sem pouco ou nenhum contexto, e você supostamente tem que levar a sério, tal qual um dos primeiros personagens (Brink) aparece e morre, logo em seguida. Torchlight não perdeu muito tempo tentando dar profundidade à sua história, tampouco vou me importar com ela aqui. É rasa, e só um pretexto para você matar monstros.
Torchlight entrega um bom loop de jogabilidade, mas que acaba ficando monótono após algumas horas. Como ele não exige quase nada do jogador nos primeiros 30 andares, você entra em um "piloto automático". E foi essa monotonia que fez eu me desapegar aos poucos do jogo.
Foi justamente na parte final que algo curioso aconteceu: eu cheguei em Ordrak e tomei uma surra. Não porque o chefe era difícil, mas sim porque o jogo foi monótono e pouco desafiador o tempo todo, o que me fez ir despreparado. O jogo não te conta o que está por vir.
Você anda por 30 andares de um dungeon crawler em um jogo que não te exige nada, mas aí, no último bioma, o Black Palace, o jogo tem um salto de dificuldade significativo. De repente, pelo menos para minha classe, onde qualquer dano importa, eu comecei a morrer com mais frequência. Comecei a usar mais poções e os inimigos iam pra cima de você com agressividade. O boss final, Ordrak, invoca uma enxurrada de minions, os dragões, para te atrapalhar, e, além de seu HP extenso, ele sacrifica os próprios minions para recuperar seu HP.
Eu fiquei desanimado? Um pouco, mas foi então que, quando eu sentei e joguei o jogo com afinco, para superar essa dificuldade imposta (que nem foi tão difícil, eu apenas subi alguns níveis e mudei a estratégia), que o jogo ficou mais divertido e aproveitei mais, justamente, minhas últimas horas com Torchlight.
Se o jogo tivesse essa dificuldade, esse apelo mais difícil desde o começo, talvez ele fosse uma experiência melhor. Eu sei que existem dificuldades maiores, mas estou falando da primeira experiência do jogo aqui.
![]() |
| Sempre tem um teimoso na família... |
O jogo dá pouca importância em contar uma história; a dificuldade (ou o salto dela) só aparece nos momentos finais, e mesmo o aspecto de loot do jogo é muito abaixo: a vasta maioria do loot são porcarias que você vende para conseguir dinheiro. Armas e armaduras lendárias e épicas são mais presentes no Shadow Vault, que é o pós-game.
O que o jogo tem é uma vasta quantidade de mods, que os próprios desenvolvedores do jogo impulsionam você a usar (até por meio de conquistas), que podem balancear melhor esses problemas. O que não é o meu caso, e, como estou falando apenas do jogo base, Torchlight é bem básico.
Eu entendo todo o romantismo do jogo em ser um clone de Diablo, com os próprios desenvolvedores do dito cujo estarem envolvidos, e também é um jogo com fator de replay se você gostar. Dito isso, é um jogo que não tive muita paixão ao jogar.
Torchlight tem a missão de desligar o cérebro e entreter, e isso ele faz, apesar de não durar muitas horas. Também tenho que dizer que é um jogo bem equilibrado, principlamente com tão pouco tempo de desenvolvimento. Não notei bugs ou coisas que não funcionavam. Tem que se elogiar.
É um jogo simples para pessoas simples. Se você só quer esmagar coisas, vá em frente. Vai se divertir!
Com toda a corrupção (supostamente) expurgada e Ordrak morto, nos vemos na próxima. Até mais, aventureiro!
Curiosidades
Engine Própria: Torchlight foi feito em uma engine criada pelo próprio Travis Baldree, funcionando como uma versão bastante aprimorada de seu jogo anterior, FATE (2005).
Netbook: O jogo foi otimizado para rodar em computadores extremamente fracos da época, incluindo os saudosos Netbooks, permitindo que qualquer PC modesto rodasse a aventura sem problemas.














Comentários
Enviar um comentário